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Alphabet projeta gasto de US$ 205 bilhões e divisão de nuvem cresce 82% no segundo trimestre de 2026

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Por Redação tecma.tech23 de julho de 20269 min de leitura
Alphabet projeta gasto de US$ 205 bilhões e divisão de nuvem cresce 82% no segundo trimestre de 2026
  • O conglomerado Alphabet, dono do Google, reportou receita de US$ 205 bilhões no Q2 de 2026 e anunciou um capex de US$ 27,5 bilhões para o período, superando estimativas de Wall Street.
  • A divisão de cloud computing (Google Cloud) foi o destaque, com alta de 82% na receita, impulsionada principalmente por contratos corporativos de inteligência artificial generativa e infraestrutura de machine learning.
  • O mercado reagiu positivamente, com as ações subindo 6% no after-market; investidores acompanham de perto os retornos sobre os pesados investimentos em data centers e chips TPU de última geração.

Alphabet supera expectativas com receita de US$ 205 bi e nuvem bombando

O segundo trimestre fiscal de 2026 da Alphabet veio forte e convenceu o mercado. A holding dontora do Google reportou uma receita total de US$ 205 bilhões, um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação ficou em US$ 2,98, batendo a previsão consensual de US$ 2,72. O grande destaque da vez foi a unidade de Google Cloud, que faturou US$ 18,2 bilhões no trimestre – uma alta expressiva de 82% na comparação anual, muito acima dos 65% esperados por analistas.

O desempenho veio acompanhado de um anúncio de capital expenditures (capex) de US$ 27,5 bilhões no trimestre, valor que reforça o compromisso da empresa com a expansão de infraestrutura de inteligência artificial. A cifra anualizada deve chegar a aproximadamente US$ 110 bilhões, consolidando a Alphabet como uma das maiores investidoras globais em data centers e chips próprios. O CEO Sundar Pichai destacou que os gastos em capex estão sendo direcionados principalmente para clusters de servidores equipados com as TPUs (Tensor Processing Units) de quinta geração, além de GPUs da NVIDIA, como a H100 e a B200.

O mercado reagiu com otimismo. As ações da Alphabet subiram 6% no after-market imediatamente após a divulgação dos números. Para analistas de Wall Street, o crescimento da nuvem sinaliza que a empresa está conseguindo monetizar a demanda corporativa por IA generativa de forma consistente. Ruth Porat, presidente de investimentos e ex-CFO da Alphabet, reforçou em teleconferência que o capex deve seguir elevado nos próximos trimestres, mas que os retornos começam a aparecer no pipeline de contratos de longo prazo.

Google Cloud explode em receita com demanda corporativa por IA

A divisão de cloud computing da Alphabet, liderada por Thomas Kurian, vive seu melhor momento desde que começou a apostar pesado em soluções de IA generativa. O crescimento de 82% na receita do Google Cloud no Q2 de 2026 foi puxado por grandes contratos empresariais, incluindo acordos com redes de varejo, instituições financeiras e governos que adotaram a plataforma Vertex AI para treinar e hospedar modelos proprietários. O pacote de ferramentas Duet AI, que integra assistentes inteligentes ao Workspace e ao Google Cloud Console, também registrou adoção recorde.

Outro motor de crescimento foi a infraestrutura de machine learning como serviço (MLaaS). Empresas de médio e grande porte estão migrando cargas de trabalho de treinamento de modelos para as TPUs do Google, que oferecem custo por inferência mais baixo em comparação com GPUs concorrentes. A receita de infraestrutura de nuvem do Google cresceu 90% no trimestre, enquanto a receita de plataforma de dados e ferramentas de IA subiu 75%.

A participação de mercado do Google Cloud no segmento de cloud pública segue abaixo da AWS (Amazon) e do Azure (Microsoft), mas o ritmo de crescimento é o mais acelerado entre os três grandes. Enquanto a AWS cresceu 18% e o Azure 23% no mesmo trimestre, a Alphabet conseguiu um sprint de 82%. O mercado total de cloud pública, segundo a Gartner, deve atingir US$ 700 bilhões em 2026, e o Google parece estar fisgando a fatia mais lucrativa: a de cargas de IA generativa.

O CFO da Alphabet, Anat Ashkenazi, destacou que a margem operacional da unidade de nuvem chegou a 11,2%, contra 5,8% no ano anterior. Isso indica que, além de crescer em receita, a operação está se tornando mais rentável. A empresa atribuiu a melhora à maior utilização dos data centers próprios e à otimização de contratos de longo prazo.

Capex bilionário sustenta a visão de longo prazo da Alphabet

O capex de US$ 27,5 bilhões no trimestre representa um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2025. A Alphabet está construindo novos data centers em regiões como Malásia, Alemanha e Chile, além de expandir clusters nos Estados Unidos. O foco principal são as cinco novas regiões de cloud que entrarão em operação até o final de 2026, incluindo duas na América Latina.

A empresa também está investindo pesado em P&D de chips personalizados. A sexta geração de TPUs, com codinome "Boreal", está em fase de validação e promete um ganho de eficiência energética de 40% em relação à geração atual. Além disso, a Alphabet firmou um acordo estratégico com a Broadcom para co-desenvolvimento de chips de rede para interconexão de data centers em alta velocidade.

Parte do capex também está sendo direcionada para segurança cibernética. Com o aumento de ataques a infraestruturas de nuvem, a Alphabet está implementando módulos de confidencialidade baseados em hardware (confidential computing) em todos os novos servidores. A iniciativa visa atrair clientes de setores regulados, como saúde e finanças, que exigem garantias de isolamento de dados.

A estratégia de capex agressivo, no entanto, não é unânime entre os investidores. Alguns fundos de hedge questionaram o ritmo de gastos em um cenário de juros ainda elevados. Sundar Pichai rebateu as críticas dizendo que "subinvestir agora seria um erro estratégico maior do que investir demais", já que a corrida pela hegemonia da IA está apenas no começo. O Google também anunciou um programa de recompra de ações de US$ 70 bilhões, o que ajudou a acalmar parte do mercado.

Publicidade segue firme, mas Google Services desacelera

A unidade Google Services, que inclui o mecanismo de busca, YouTube e Android, registrou receita de US$ 153 bilhões no trimestre, um crescimento modesto de 8% em relação ao ano anterior. O segmento de busca continua sendo a principal vaca leiteira da empresa, mas o ritmo de expansão desacelerou em comparação com trimestres anteriores, quando crescia na casa de dois dígitos.

O YouTube, por outro lado, mostrou resiliência. A plataforma de vídeos faturou US$ 14,6 bilhões em anúncios, um aumento de 12%, impulsionado pelo crescimento do YouTube Shorts e pela venda de espaços publicitários em eventos ao vivo, como esportes e shows. O YouTube TV e o YouTube Music também registraram bons números, com assinaturas pagas ultrapassando 12 milhões.

A divisão de assinaturas, plataformas e dispositivos (que inclui Google One, Fitbit, Pixel e Nest) teve receita de US$ 11,2 bilhões, alta de 14%. O Pixel 10, lançado em maio de 2026, vendeu bem nos mercados dos EUA e do Japão, mas a participação global do Google no mercado de smartphones ainda é pequena (cerca de 3%).

Já a unidade de "Other Bets" (que reúne projetos como Waymo, Verily e Wing) perdeu US$ 1,8 bilhão no trimestre, um rombo 30% maior que no ano anterior. A Waymo, que opera frotas de táxis autônomos em São Francisco, Phoenix e Los Angeles, ainda não atingiu lucratividade, mas a empresa afirma que a receita de corridas pagas cresceu 120% ano a ano.

Perspectivas e riscos para o segundo semestre de 2026

A Alphabet projeta que o capex do segundo semestre de 2026 permanecerá no mesmo patamar, com possibilidade de leve aumento no Q4, quando novos data centers na Ásia entrarem em operação. A receita de cloud deve continuar crescendo acima de 60% ao ano, impulsionada pelo ciclo de adoção de IA generativa em empresas de médio porte.

Os principais riscos apontados por analistas incluem a regulação antitruste nos EUA e na Europa. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) ainda não concluiu o processo contra o Google por práticas anticompetitivas no mercado de busca, mas uma decisão desfavorável poderia obrigar a empresa a modificar acordos com fabricantes de smartphones. Na União Europeia, o Digital Markets Act (DMA) segue apertando o cerco contra plataformas dominantes.

Outro ponto de atenção é a concorrência. A Microsoft anunciou que vai investir US$ 50 bilhões em infraestrutura de IA na Europa ainda em 2026, enquanto a Amazon Web Services (AWS) está desenvolvendo seus próprios chips Trainium, que podem reduzir a dependência de fornecedores externos e pressionar as margens do Google Cloud.

Apesar dos riscos, o sentimento geral entre investidores é de confiança. A Alphabet tem caixa disponível de US$ 95 bilhões, o que lhe dá fôlego para continuar investindo e ainda devolver capital aos acionistas via recompra de ações. Para o consumidor final e para as empresas que usam a nuvem do Google, a mensagem é clara: a inteligência artificial será o centro de tudo, e a Alphabet está disposta a gastar o que for preciso para liderar essa corrida.

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