tecma.tech
OfertasÚltimasIAProdutosGadgetsAppsSegurançaStartupsCiênciaGamesMercado
Voltar para a home
IA | Negócios

Amazon corta equipes de IA em reestruturação que afeta Alexa e desenvolvimento de novos modelos

R
Por Redação tecma.tech31 de julho de 20268 min de leitura
Amazon corta equipes de IA em reestruturação que afeta Alexa e desenvolvimento de novos modelos
  • A Amazon realizou cortes em seu setor de inteligência artificial, incluindo equipes dedicadas ao desenvolvimento de modelos de linguagem e à assistente Alexa.
  • A reestruturação atinge principalmente a divisão de dispositivos e serviços, liderada pelo novo vice-presidente Panos Panay, em meio a uma estratégia de redução de custos.
  • Os cortes afetam centenas de funcionários e podem impactar o lançamento de novos recursos de IA generativa na plataforma AWS e em produtos de consumo.
  • A medida reflete a pressão da Amazon para equilibrar investimentos em IA com a necessidade de demonstrar eficiência operacional aos investidores.
  • A empresa afirma que continuará priorizando áreas-chave, como a integração de IA em seus serviços de nuvem e logística.

Cortes na divisão de IA da Amazon atingem equipes de Alexa e modelos de linguagem

A Amazon realizou uma nova rodada de cortes em seu setor de inteligência artificial, afetando equipes responsáveis pelo desenvolvimento da assistente Alexa e de modelos de linguagem de grande escala. A reestruturação foi confirmada por fontes internas nesta semana e faz parte de um processo mais amplo de redução de custos iniciado em 2023. A empresa, que já havia demitido mais de 27 mil funcionários em duas ondas anteriores, agora foca em unidades consideradas estratégicas, mas ainda sujeitas a cortes de eficiência.

Segundo documentos internos obtidos pelo TecnoBlog, as demissões atingem principalmente a divisão de Dispositivos e Serviços, que abriga a equipe da Alexa e parte do desenvolvimento de modelos de linguagem. A decisão foi tomada pelo novo vice-presidente da divisão, Panos Panay, ex-executivo da Microsoft que assumiu o cargo em outubro de 2023. Panay tem a missão de reverter anos de prejuízos na unidade de hardware e assistentes virtuais, que já acumula perdas bilionárias.

Os cortes não são uniformes: enquanto equipes dedicadas à criação de novos recursos de IA generativa para a nuvem AWS foram parcialmente poupadas, times focados em experimentos de longo prazo, como a iniciativa "Ambient Intelligence" e o robô doméstico Astro, foram mais impactados. A Amazon não divulgou números oficiais, mas estimativas internas apontam para a demissão de cerca de 500 funcionários, a maioria engenheiros de software e cientistas de dados.

O impacto no desenvolvimento de modelos de linguagem e na Alexa

A assistente Alexa, que já foi considerada o carro-chefe da inovação da Amazon, enfrenta dificuldades para competir com assistentes baseados em grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT e o Google Assistant com Gemini. Os cortes podem atrasar ainda mais a implementação de uma versão da Alexa com capacidade de conversação mais natural, algo que a empresa vem prometendo desde 2023.

Fontes ouvidas pelo TecnoBlog afirmam que a Amazon planejava lançar uma nova versão da Alexa com IA generativa ainda em 2024, mas o cronograma agora é incerto. A demissão de parte da equipe de ciência de dados que trabalhava no modelo de linguagem proprietário, chamado internamente de "Alexa LLM", pode comprometer a qualidade do produto. Em paralelo, a empresa também reduziu investimentos no desenvolvimento de modelos de linguagem gerais para competir diretamente com GPT-4 e Claude, optando por licenciar tecnologia de terceiros, como a da Anthropic, da qual é investidora.

A decisão de cortar internamente e apostar em parcerias externas reflete uma mudança de estratégia. Em vez de construir do zero, a Amazon quer focar na integração de modelos prontos em seus produtos. No entanto, especialistas apontam que isso pode limitar o controle sobre a evolução das capacidades de IA e aumentar a dependência de fornecedores externos.

Pressão por lucratividade e o papel de Andy Jassy

O CEO da Amazon, Andy Jassy, tem pressionado todas as divisões a apresentarem resultados financeiros mais sólidos, especialmente após o período de contratações excessivas durante a pandemia. A divisão de Dispositivos e Serviços, que inclui Alexa, Echo, Fire TV e Astro, nunca deu lucro. Em 2022, a unidade registrou prejuízo operacional de mais de US$ 5 bilhões, levando a empresa a reconsiderar seu portfólio.

Os cortes na área de IA são vistos como parte de um movimento maior de eficiência, que já afetou setores como recrutamento, publicidade e logística. A Amazon, no entanto, afirma que continuará investindo pesadamente em IA para seus negócios mais rentáveis, como AWS, logística e recomendações de e-commerce. Em fevereiro de 2024, a empresa anunciou um investimento de US$ 4 bilhões na startup Anthropic, além de ter lançado o serviço Amazon Q, uma ferramenta de IA generativa para empresas.

A mensagem interna da liderança é clara: a IA não está sendo abandonada, mas sim redesenhada para gerar receita mais rapidamente. Isso significa que projetos experimentais e de longo prazo, como robôs domésticos e assistentes com personalidade, perdem espaço para aplicações mais imediatas, como chatbots para atendimento ao cliente e ferramentas de automação de código.

Reações do mercado e implicações para o setor de tecnologia

O anúncio dos cortes foi recebido com cautela pelo mercado. As ações da Amazon fecharam o dia em leve queda de 0,8%, mas analistas destacam que a medida pode ser positiva para a saúde financeira da empresa no longo prazo. A gigante do e-commerce está sob pressão para mostrar que seus investimentos em IA são sustentáveis, em um momento em que concorrentes como Microsoft e Google aceleram o lançamento de produtos baseados em modelos de linguagem.

Para o setor de tecnologia como um todo, os cortes na Amazon sinalizam uma tendência: mesmo as maiores empresas estão revisando seus gastos com IA, priorizando retornos de curto prazo. Empresas menores que dependem de parcerias com a Amazon, como startups de hardware para assistentes, podem ser afetadas. Já para os consumidores, a mensagem é de que a próxima geração da Alexa pode demorar mais do que o esperado, enquanto a empresa busca um modelo de negócio viável.

A Amazon também enfrenta desafios regulatórios na Europa e nos Estados Unidos relacionados à concorrência no mercado de assistentes de voz. Os cortes podem ser interpretados como uma forma de reduzir investimentos em uma área que atrai escrutínio antitruste, já que a Alexa coleta grandes volumes de dados dos usuários.

O futuro da inteligência artificial na Amazon

Apesar dos cortes, a Amazon não está recuando completamente da corrida da IA. A empresa continua a desenvolver seus próprios chips especializados, como o Trainium e o Inferentia, para treinar e executar modelos de IA com eficiência. Além disso, o AWS Bedrock, plataforma de IA generativa para empresas, continua recebendo investimentos robustos. A diferença é que o foco agora está em aplicações comerciais, não em produtos de consumo.

Internamente, a Amazon está redirecionando cientistas e engenheiros das equipes de Alexa para times de AWS, onde o retorno financeiro é mais imediato. A empresa também planeja expandir o uso de IA em sua rede de logística, otimizando rotas de entrega e gerenciamento de estoque. Para o consumidor comum, as mudanças podem ser invisíveis a curto prazo, mas a longo prazo significam que a Amazon pode se tornar menos inovadora em produtos físicos e mais focada em serviços empresariais.

A demissão de equipes de IA também levanta questões sobre a cultura de inovação da Amazon. Durante anos, a empresa foi conhecida por experimentar sem medo de falhar, mas os cortes recentes sugerem que a paciência com projetos não lucrativos está se esgotando. A Amazon precisará encontrar um equilíbrio entre eficiência e inovação para não perder o bonde da próxima onda tecnológica.

amazoncortes-de-pessoalinteligencia-artificialalexaawsmodelos-de-linguagemreestruturacaotecnologiaassistente-virtualdemissoes-em-massa