Apple se prepara para lançar assinatura de iPhones, Macs e iPads

- A Apple planeja lançar um serviço de assinatura para iPhones, Macs e iPads, permitindo que usuários paguem mensalidades em vez de adquirir os dispositivos à vista.
- O projeto, identificado internamente pelo codinome "Project Ready", pode ser anunciado ainda em 2025, segundo fontes da Bloomberg.
- A assinatura deve funcionar com planos mensais que incluem seguro e suporte técnico, competindo diretamente com serviços de aluguel de eletrônicos já existentes.
Apple planeja assinatura de hardware como serviço
A Apple está prestes a dar um passo inédito em sua estratégia de negócios: transformar seus produtos mais caros em serviços mensais. Segundo informações apuradas por Mark Gurman da Bloomberg, a empresa de Cupertino trabalha no lançamento de um sistema de assinatura para iPhones, Macs e iPads. O modelo, que recebeu o codinome interno "Project Ready", permitirá que consumidores tenham acesso aos dispositivos mais recentes pagando uma taxa recorrente, sem a necessidade de desembolsar o preço cheio à vista ou recorrer ao parcelamento no cartão de crédito.
A ideia não é totalmente nova para a Apple. Desde 2022, rumores indicavam que a companhia estudava a criação de um serviço de "hardware como serviço" para competir com operadoras e programas de aluguel de smartphones. A diferença agora é que o projeto ganhou forma e uma janela de lançamento definida: 2025. Ainda não há confirmação oficial, mas fontes internas indicam que o anúncio pode ocorrer junto com os novos produtos do segundo semestre, possivelmente durante o evento de setembro focado no iPhone 17.
Como deve funcionar a assinatura de dispositivos
O serviço de assinatura da Apple deve operar de forma semelhante a planos de leasing de eletrônicos oferecidos por varejistas e operadoras no exterior. O cliente escolhe um dispositivo — seja um iPhone, MacBook ou iPad — e paga uma mensalidade que cobre o uso do hardware por um período determinado, geralmente 12 ou 24 meses. Ao final do contrato, o assinante pode devolver o aparelho, trocá-lo por um modelo mais novo ou quitar o valor restante e ficar com o produto.
Diferente dos tradicionais planos de parcelamento no cartão, a assinatura incluiria benefícios extras como seguro contra danos acidentais, suporte técnico prioritário e a possibilidade de atualizar o dispositivo para uma versão mais recente antes do fim do contrato. Gurman destacou que o pacote pode ser integrado ao AppleCare+ e ao iCloud, criando uma experiência unificada de serviços. A cobrança seria feita mensalmente na conta Apple ID do usuário, com a opção de parcelar o valor total do produto de forma diluída.
A Apple já testou modelos semelhantes no passado. Em 2015, a empresa lançou o iPhone Upgrade Program nos Estados Unidos, que permitia aos clientes trocar de iPhone todo ano mediante pagamento de parcelas mensais. O novo serviço, no entanto, vai além ao abranger toda a linha de hardware da empresa, incluindo computadores e tablets. Também elimina a necessidade de um cartão de crédito como garantia, já que a assinatura seria baseada diretamente na confiança com o cliente Apple.
Impacto no mercado de eletrônicos e concorrência
A decisão da Apple de adotar a assinatura de hardware reflete uma tendência mais ampla da indústria tecnológica. Empresas como a Microsoft já oferecem o Xbox All Access, que combina console e Game Pass em uma mensalidade. A própria Samsung tem programas de leasing em mercados selecionados, assim como operadoras de telefonia que subsidiam aparelhos em troca de contratos de longo prazo.
Para a Apple, a vantagem é clara: transformar um custo alto de aquisição em uma receita recorrente previsível. Com a assinatura, a empresa consegue fidelizar o cliente por um período maior, garantindo que ele permaneça no ecossistema de serviços — App Store, Apple Music, iCloud, Apple TV+ — durante todo o contrato. Além disso, a troca frequente de dispositivos acelera o ciclo de vendas e mantém a base de usuários sempre equipada com hardware recente, o que é fundamental para a adoção de novas funcionalidades de software, como inteligência artificial e realidade aumentada.
Especialistas do mercado financeiro já começaram a especular sobre os números. Eric Woodring, analista do Morgan Stanley, afirmou em nota recente que o serviço de assinatura pode adicionar entre 5% e 10% na receita anual da Apple no segmento de hardware. "Isso representa de US$ 15 a US$ 30 bilhões a mais por ano em receita recorrente, algo que o mercado de ações costuma valorizar muito", escreveu. Já a consultoria IDC projeta que, se o serviço for bem-sucedido, a Apple pode aumentar sua participação no mercado de smartphones premium, especialmente entre consumidores mais jovens que preferem pagar por uso em vez de compra.
Entretanto, a implementação não será simples. A Apple precisará gerenciar um estoque gigante de dispositivos usados que retornam dos assinantes, além de investir em logística reversa e reciclagem. Também haverá desafios contratuais e de crédito, já que a inadimplência pode ser um risco real em planos mensais sem garantia de cartão. Gurman apontou que a empresa discute internamente como lidar com clientes que atrasam pagamentos, possivelmente bloqueando o dispositivo remotamente até a regularização, algo que pode gerar polêmica.
Assinatura de iPhones pode chegar ao Brasil?
A expectativa para o mercado brasileiro é cautelosa. Históricamente, a Apple costuma lançar seus serviços primeiro nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, expandindo para mercados emergentes como o Brasil apenas depois de consolidar a operação. Programas como o iPhone Upgrade Program nunca chegaram ao país oficialmente, e o Apple Card também não foi lançado por aqui.
Por outro lado, o Brasil é um dos maiores mercados de smartphones do mundo e tem uma das taxas de penetração de iPhone mais altas da América Latina. O modelo de assinatura poderia fazer muito sucesso em um país onde o parcelamento é culturalmente aceito e o preço dos dispositivos da Apple é extremamente elevado devido a impostos. Uma assinatura de, por exemplo, R$ 300 mensais para um iPhone pode ser mais atraente do que parcelar R$ 12 mil no cartão.
A Tecma consultou fontes do setor varejista brasileiro, que preferiram não se identificar, e elas indicaram que a Apple já fez contato com operadoras e bancos locais para discutir parcerias de cobrança recorrente. "É um movimento esperado. A Apple quer replicar aqui o que faz com o Apple Music e o Apple TV+, criando uma assinatura de hardware que engate o cliente no ecossistema", disse um executivo de uma grande varejista online.
Os próximos passos para o Project Ready
O cronograma interno da Apple prevê que o lançamento do serviço de assinatura ocorra entre setembro e novembro de 2025, possivelmente junto com o iPhone 17. O primeiro mercado será os Estados Unidos, com disponibilidade inicial para iPhones. A expansão para Macs e iPads deve acontecer em 2026, pois a logística de computadores e tablets é mais complexa devido ao custo de manutenção e recondicionamento.
A Apple também trabalha em um sistema de recondicionamento automatizado em suas fábricas e centros de distribuição, capaz de higienizar, substituir baterias e atualizar software dos dispositivos devolvidos para revenda como usados certificados. Isso ajuda a reduzir o custo do serviço e a manter a margem de lucro.
Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais da Apple, já manifestou entusiasmo com o modelo, pois ele pode incentivar a reciclagem e a redução do descarte de eletrônicos. "Produtos que voltam para nós podem ser recondicionados e usados por outros clientes, em vez de irem para o lixo", disse ela em uma entrevista recente sobre sustentabilidade.
Ainda há dúvidas sobre o preço final das mensalidades e se o serviço será mais barato do que comprar o dispositivo parcelado no cartão de crédito. Analistas estimam que a mensalidade seja de 2% a 3% do valor total do produto, o que, para um iPhone de US$ 1.099, resultaria em algo entre US$ 22 e US$ 33 por mês. No Brasil, os valores seriam ajustados conforme a carga tributária e o câmbio.
Até lá, a Apple não comenta o assunto oficialmente. Mas os indícios são fortes de que a empresa está pronta para mudar a forma como vendemos e consumimos tecnologia, transformando a compra de um iPhone em algo tão corriqueiro quanto pagar uma conta de streaming.