Não, a IA não vai destruir empregos: CEO da Adecco diz que o impacto será de transformação

- O CEO da Adecco, Denis Machuel, afirma que a inteligência artificial está transformando as funções de trabalho, não eliminando-as.
- A gigante global de recrutamento prevê uma necessidade massiva de requalificação profissional nos próximos anos para acompanhar a automação.
- Machuel defende que a IA criará novas oportunidades em áreas de supervisão, criatividade e análise, exigindo adaptação das empresas e trabalhadores.
A visão do executivo sobre o futuro do trabalho
O debate sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho ganhou um novo capítulo com a declaração do CEO da Adecco, Denis Machuel. Em entrevista recente, o executivo descartou o cenário apocalíptico de destruição em massa de empregos, afirmando que a IA está mudando a natureza das funções, não as eliminando. Para Machuel, a tecnologia será uma ferramenta de aumento de produtividade, e não uma substituta dos profissionais.
A Adecco, uma das maiores empresas de recrutamento do mundo, tem acesso a dados em tempo real sobre contratações e tendências de qualificação. Com isso, Machuel argumenta que a transição será gradual e que a maior parte dos trabalhadores precisará aprender a colaborar com sistemas automatizados. "Não estamos vendo uma redução líquida de vagas, mas uma reconfiguração radical das exigências", afirmou o CEO. A declaração reforça estudos recentes do Fórum Econômico Mundial, que estimam que a IA criará 97 milhões de novas funções até 2025.
O papel das empresas de recrutamento na era da IA
As agências de emprego estão na linha de frente dessa transformação. Denis Machuel destacou que a Adecco já investe em plataformas de inteligência artificial para conectar candidatos a vagas que exigem novas competências. "Nossa função é facilitar a requalificação em massa, algo que nem governos nem sistemas educacionais conseguem fazer sozinhos", disse o executivo.
A empresa também desenvolve programas internos de treinamento em habilidades digitais para seus próprios funcionários. Machuel citou o exemplo de um projeto na Europa, onde trabalhadores temporários estão recebendo cursos básicos de machine learning e análise de dados. "Queremos ser um laboratório de como a transição pode ser feita de forma humana e eficiente", acrescentou. A iniciativa reflete uma tendência global: segundo o relatório da McKinsey, 375 milhões de trabalhadores podem precisar trocar de categoria profissional até 2030.
Requalificação: a chave para a sobrevivência profissional
Denis Machuel insiste que a requalificação não é apenas uma opção, mas uma necessidade urgente. Ele aponta que funções repetitivas e baseadas em regras fixas serão as mais impactadas, enquanto ocupações que exigem criatividade, empatia e supervisão ganharão relevância. "Um caixa de supermercado pode se tornar um especialista em atendimento personalizado assistido por IA", exemplificou.
O CEO da Adecco também criticou a visão de que apenas profissionais de tecnologia se beneficiarão. "Setores como saúde, logística e varejo terão alta demanda por pessoas que saibam interpretar dados e tomar decisões complexas", afirmou. A empresa já observa um aumento de 40% na procura por profissionais com conhecimentos em IA generativa, especialmente em áreas como marketing e design.
O setor de tecnologia como motor de novas vagas
Apesar do otimismo, Machuel reconhece que o ritmo de criação de empregos em tecnologia pode não absorver todos os trabalhadores deslocados. "Precisamos de políticas públicas coordenadas para evitar bolsões de desemprego estrutural", alertou. Ele sugere parcerias entre empresas, escolas e governos para criar currículos modulares que se atualizem com frequência.
A Adecco também está testando sistemas de recolocação baseados em IA, que analisam o histórico profissional de candidatos e sugerem trajetórias de carreira alternativas. Machuel vê nisso uma oportunidade de reduzir o tempo de transição entre empregos. "A tecnologia pode ser uma ponte, desde que usada com critérios éticos e foco no ser humano", concluiu.
Com a declaração, o CEO da Adecco se junta a vozes como a do economista David Autor, do MIT, que defende que a automação cria mais empregos do que destrói no longo prazo. Resta saber se governos e empresas conseguirão acompanhar a velocidade da mudança.