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Figma começa a hospedar dados de clientes no Brasil para acelerar performance e cumprir LGPD

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Por Redação tecma.tech29 de julho de 20268 min de leitura
Figma começa a hospedar dados de clientes no Brasil para acelerar performance e cumprir LGPD
  • A Figma anunciou que passará a hospedar dados de clientes corporativos em servidores localizados no Brasil, com o objetivo de melhorar a performance e atender à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
  • A novidade chega por meio de uma parceria com a AWS (Amazon Web Services), que disponibilizará infraestrutura em datacenters brasileiros para a ferramenta de design colaborativo.
  • Empresas que optarem pelo armazenamento local terão redução na latência e maior controle sobre os dados, mas o recurso está disponível apenas para planos Enterprise.

Figma coloca servidores no Brasil para turbinar design colaborativo

A Figma, ferramenta de design de interfaces que se tornou referência global entre times de produto e UX, anunciou uma mudança significativa para seus clientes corporativos no Brasil: a partir de agora, a empresa passa a hospedar dados de usuários empresariais em servidores localizados no território nacional. A iniciativa, viabilizada por meio de uma parceria com a AWS (Amazon Web Services), tem dois objetivos claros: melhorar a performance da plataforma no país e adequar a operação às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A novidade chega em um momento em que a Figma consolida sua posição como peça central no fluxo de trabalho de milhares de empresas brasileiras, de startups a grandes corporações. Com a hospedagem local, a promessa é de redução drástica na latência, já que os dados não precisarão mais trafegar até servidores nos Estados Unidos para serem processados. Para Kris Rasmussen, diretor de produtos da Figma, a mudança representa um passo importante na estratégia de regionalização da empresa. "Estamos comprometidos em oferecer a melhor experiência possível para nossos clientes, e isso inclui respeitar as leis locais e garantir que o produto funcione com a máxima eficiência", afirmou o executivo em comunicado oficial.

A medida é especialmente relevante para setores que lidam com informações sensíveis, como instituições financeiras, healthtechs e empresas de infraestrutura crítica. Com os dados armazenados no Brasil, essas organizações podem garantir que as informações de seus projetos de design estejam sujeitas à jurisdição nacional, facilitando auditorias e processos de compliance. A Figma, no entanto, deixa claro que a regionalização é opcional e voltada exclusivamente para clientes do plano Enterprise, que já possuem contratos mais robustos e flexíveis.

LGPD e latência: os dois motores da decisão

A LGPD, em vigor desde setembro de 2020, estabelece regras claras sobre o tratamento de dados pessoais por empresas que operam no Brasil. Embora a Figma seja uma ferramenta focada em design e prototipação, e não necessariamente em dados pessoais de usuários finais, os arquivos de projeto podem conter informações sensíveis, como rascunhos de produtos, estratégias de UX e até dados inseridos em protótipos funcionais. Para muitos clientes corporativos, garantir que esses dados não saiam do país é uma exigência contratual e de governança.

Do ponto de vista técnico, a hospedagem local também resolve um problema antigo de usuários brasileiros: a latência. Em ferramentas colaborativas em tempo real, cada milissegundo conta. Com servidores no Brasil, o tempo de resposta para operações como arrastar um componente, comentar um frame ou sincronizar alterações cai significativamente. Segundo testes internos da Figma, a redução na latência pode chegar a 60% para usuários nas regiões Sudeste e Sul, onde a maioria dos datacenters da AWS está concentrada.

A parceria com a AWS não é nova. A Figma já utiliza a nuvem da Amazon como espinha dorsal de sua infraestrutura global. O que muda agora é a ativação de uma região específica de armazenamento no Brasil, permitindo que os dados dos clientes Enterprise fiquem fisicamente em solo nacional. Jeffrey Hammond, vice-presidente de engenharia da AWS, destacou a importância da colaboração: "A AWS tem o compromisso de ajudar empresas a atender requisitos de soberania de dados. A Figma é um exemplo claro de como a infraestrutura em nuvem pode ser adaptada para as necessidades locais".

Quem ganha com a novidade?

O público mais beneficiado com a mudança são as grandes empresas que já utilizam o plano Enterprise da Figma. Para essas organizações, a regionalização não é apenas uma questão de velocidade, mas de estratégia de negócios. Muitas delas operam em mercados regulados, onde a transferência internacional de dados exige contratos específicos e cláusulas de salvaguarda. Com os dados no Brasil, o processo de adequação à LGPD se torna mais simples e direto.

Além da performance e da conformidade legal, a Figma também aposta na confiança como diferencial competitivo. Em um mercado onde concorrentes como o Sketch e o Adobe XD ainda disputam espaço, a capacidade de oferecer um produto que respeita a soberania digital de um país pode ser o fator decisivo para fechar contratos com governos e estatais. A empresa não divulgou quantos clientes brasileiros já manifestaram interesse em migrar para a hospedagem local, mas a expectativa é que a adesão seja alta entre os setores mais regulados.

Vale lembrar que a mudança não afeta usuários dos planos gratuitos, Profissional ou Organização. Esses perfis continuarão com os dados armazenados nos padrões atuais da empresa, que variam conforme a localização do servidor mais próximo. Para quem está no plano Enterprise, no entanto, a ativação do armazenamento local pode ser solicitada diretamente com a equipe de suporte da Figma, sem custos adicionais no contrato.

O impacto no ecossistema de design brasileiro

A decisão da Figma de regionalizar os dados no Brasil não acontece isolada. Outras grandes empresas de tecnologia, como a Salesforce e a Microsoft, já oferecem opções de armazenamento local para clientes brasileiros há algum tempo. O movimento da Figma, no entanto, é simbólico por se tratar de uma ferramenta que se tornou praticamente onipresente em times de design e desenvolvimento de produtos digitais.

Para o ecossistema de startups e agências brasileiras, a notícia é recebida com otimismo. Carolina Tavares, head de design em uma fintech paulista, comentou sobre a relevância da medida: "Trabalhamos com dados financeiros sensíveis em nossos protótipos. Ter a certeza de que essas informações estão armazenadas dentro do Brasil, seguindo a LGPD, nos dá tranquilidade para continuar usando a Figma como nossa principal ferramenta de design".

A longo prazo, a expectativa é que a Figma expanda a regionalização para outros países da América Latina, seguindo a mesma lógica de performance e compliance. O Brasil, por ser o maior mercado da região e ter uma legislação de proteção de dados já consolidada, funciona como um teste para essa estratégia. Se a adesão for positiva, outros países como Argentina, México e Colômbia podem entrar no mapa de servidores locais da empresa.

Próximos passos e considerações técnicas

Para os clientes Enterprise interessados em ativar a hospedagem local, o processo é relativamente simples. A Figma oferece um painel de configurações onde o administrador da conta pode selecionar a região de armazenamento preferida. Uma vez ativada, a migração dos dados existentes é feita de forma transparente, sem interrupção no serviço. A empresa recomenda que a mudança seja agendada fora do horário de pico de uso, mas garante que não haverá perda de dados ou necessidade de recriação de projetos.

Do ponto de vista de segurança, a Figma mantém os mesmos padrões de criptografia e controle de acesso, independentemente da localização dos dados. A criptografia em repouso e em trânsito continua sendo aplicada, e os certificados de segurança seguem as certificações ISO 27001 e SOC 2. A única diferença é que a chave de criptografia e os dados físicos estarão sob jurisdição brasileira, o que pode ser um requisito para empresas que precisam comprovar a localização dos dados em auditorias.

A Figma não descarta que, no futuro, a regionalização possa se estender para outros planos, como o Organization, mas por enquanto não há previsão. A empresa afirma que está monitorando a demanda e a evolução das regulamentações para tomar decisões a respeito. Enquanto isso, clientes brasileiros do plano Enterprise já podem aproveitar os benefícios de uma Figma mais rápida e mais alinhada com a legislação local.

Com a mudança, a Figma reforça seu compromisso com o mercado brasileiro e mostra que ouviu as demandas de seus usuários corporativos. A hospedagem local de dados é um passo importante em um cenário onde a soberania digital e a experiência do usuário caminham lado a lado. Para times de design que dependem de colaboração em tempo real e precisam de conformidade legal, a novidade chega como um alívio bem-vindo.

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