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Figma inicia hospedagem de dados no Brasil e reforça compromisso com LGPD e desempenho local

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Por Redação tecma.tech31 de julho de 20268 min de leitura
Figma inicia hospedagem de dados no Brasil e reforça compromisso com LGPD e desempenho local
  • A Figma anunciou que passou a armazenar dados de clientes brasileiros em servidores localizados no Brasil, com foco na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
  • A medida atende a demandas de empresas que precisam de soberania de dados e menor latência, seguindo movimento de gigantes como AWS e Microsoft.
  • Por enquanto, a hospedagem local é voltada para clientes corporativos, mas a empresa avalia expandir para planos gratuitos no futuro.
  • A novidade coloca a Figma em pé de igualdade com concorrentes de design que já oferecem data residency na região, como Sketch e Adobe.

Figma anuncia data centers locais para atender à LGPD e melhorar performance

A Figma, plataforma de design colaborativo amplamente usada por equipes de produto e UX, anunciou que começou a hospedar dados de clientes brasileiros em servidores localizados no Brasil. A iniciativa atende a um pedido antigo de grandes contas corporativas que precisam cumprir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e também reduzir a latência em projetos colaborativos em tempo real.

Segundo Dylan Field, CEO da Figma, a decisão foi tomada após ouvir feedback de clientes que viam a falta de data residency como um obstáculo para adotar a plataforma em larga escala no país. "O Brasil é um dos mercados que mais cresce para a Figma, e a soberania de dados é uma exigência cada vez mais comum entre empresas reguladas", afirmou o executivo durante o anúncio oficial.

A novidade chega em um momento estratégico: a Figma vem expandindo sua base de usuários corporativos na América Latina, especialmente após a aquisição frustrada pela Adobe em 2023, que acabou gerando maior confiança na independência da empresa. Com a hospedagem local, a Figma espera desbloquear contratos com bancos, seguradoras e empresas de tecnologia que até então dependiam de soluções de terceiros para garantir conformidade.

Como funciona a hospedagem de dados no Brasil

Os dados dos clientes brasileiros agora são armazenados em data centers operados por parceiros da Figma dentro do território nacional. A empresa não revelou o nome do provedor de infraestrutura, mas afirma que utiliza criptografia tanto em repouso quanto em trânsito, seguindo os mesmos padrões globais de segurança.

Na prática, todos os projetos, arquivos e metadados criados por contas corporativas configuradas para a região Brasil ficam hospedados localmente. A Figma garante que a replicação de dados também ocorre dentro do país, evitando que informações sigam para servidores nos Estados Unidos ou Europa. Para o usuário final, a mudança é transparente: a interface continua a mesma, mas a latência em operações de salvamento e sincronização tende a cair significativamente.

A empresa também implementou um painel de administração que permite que equipes de TI escolham a região de armazenamento. Atualmente, a opção está disponível apenas em planos Figma Enterprise e Organization, mas a empresa estuda expandir para contas Profissional nos próximos meses. Usuários do plano gratuito permanecem com dados hospedados nos Estados Unidos, sem previsão de mudança no curto prazo.

A mudança não afeta o preço dos planos corporativos, segundo Katie Dill, diretora de experiência do cliente da Figma. "Estamos absorvendo os custos adicionais de infraestrutura para oferecer uma experiência melhor aos nossos clientes brasileiros, sem repassar aumentos", disse ela em comunicado.

Implicações para usuários corporativos e o ecossistema de design

Para empresas brasileiras que utilizam a Figma como ferramenta principal de design de produtos digitais, a notícia representa um alívio burocrático. Antes, era comum que departamentos jurídicos exigissem a assinatura de acordos de processamento de dados (DPA) específicos ou a utilização de soluções como Figma Mirror com proxies regionais. Agora, a responsabilidade de conformidade com a LGPD fica mais simples.

Além disso, a melhoria de desempenho é um fator concreto. Equipes de design que trabalham com protótipos complexos e colaboração em tempo real sentiam aumento de latência quando os dados precisavam cruzar o Atlântico. Com servidores locais, a resposta em operações como arrastar componentes ou sincronizar comentários tende a ser mais fluida.

A iniciativa também coloca pressão sobre concorrentes. O Sketch, que tem base em Mac e oferece hospedagem própria, já permitia armazenamento em nuvem com escolha de região via provedores terceiros. A Adobe, com seu XD e a suíte Creative Cloud, também oferece data centers na América do Sul. A Figma, portanto, fecha uma lacuna competitiva importante.

Vale notar que a decisão vai ao encontro de uma tendência maior no mercado de SaaS: cada vez mais empresas de tecnologia estão localizando dados em países com regulações rígidas de proteção de dados, como Brasil, Índia e União Europeia. A Notion e o Slack recentemente anunciaram opções semelhantes para clientes corporativos.

Concorrência e o futuro da Figma na América Latina

A América Latina sempre foi um mercado de crescimento acelerado para a Figma. Dados internos da empresa indicam que o número de usuários ativos no Brasil cresceu mais de 70% nos últimos dois anos. Com a hospedagem local, a expectativa é que esse número continue acelerando, especialmente entre setores regulados como finanças e saúde.

A empresa também planeja expandir sua presença física no país. Field mencionou que a Figma pretende abrir um escritório em São Paulo ainda este ano para dar suporte a clientes corporativos e fortalecer parcerias locais. Atualmente, a empresa conta com uma equipe remota de vendas e engenharia dedicada ao mercado brasileiro.

No entanto, a mudança não é isenta de desafios. A Figma precisará garantir que a infraestrutura local mantenha os mesmos níveis de disponibilidade (99,9% de uptime) e segurança que seus data centers globais. Além disso, a empresa terá que lidar com possíveis questões de soberania de dados em outros países da América Latina, como Argentina e México, que também possuem leis de proteção de dados.

Por enquanto, a hospedagem local está disponível apenas para novas contas corporativas que solicitarem a região Brasil durante a configuração. Clientes existentes podem migrar seus dados por meio de um processo manual, sem custos adicionais. A Figma prometeu automatizar essa migração nos próximos trimestres.

O que esperar para os próximos meses

Com a entrada em operação dos data centers locais, a Figma se posiciona como uma das primeiras ferramentas de design colaborativo a oferecer residência de dados no Brasil de forma nativa. A medida não apenas fortalece a confiança de clientes corporativos, mas também abre caminho para que a empresa explore parcerias com provedores de nuvem brasileiros e amplie seu ecossistema de plugins e integrações locais.

Para o usuário final, a transição deve ser suave. A Figma recomenda que equipes de TI atualizem suas políticas de armazenamento e revisem os contratos de licenciamento para garantir que a região escolhida esteja correta. A empresa também disponibilizou documentação detalhada sobre o processo de migração e compliance.

No longo prazo, a expectativa é que a Figma estenda a opção de data residency para outras regiões da América Latina e também para planos de entrada, tornando a privacidade de dados um benefício universal, e não apenas um recurso premium. Enquanto isso, a concorrência corre para acompanhar o movimento.

A hospedagem no Brasil é mais um passo na estratégia da Figma de se consolidar como plataforma essencial para times de produto globais, agora com a segurança jurídica e técnica que o mercado brasileiro exige. Resta saber se outras empresas de SaaS seguirão o mesmo caminho ou se a Figma conseguirá usar essa vantagem para capturar ainda mais market share na região.

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