Figma inicia hospedagem de dados de clientes no Brasil: conformidade e desempenho

- O Figma anunciou que passará a armazenar dados de clientes brasileiros em data centers localizados no próprio país, em vez de servidores nos Estados Unidos.
- A mudança atende às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e busca reduzir a latência para usuários locais.
- Empresas e designers que utilizam a plataforma de design colaborativo agora contam com maior segurança jurídica e melhor desempenho nas ferramentas.
Conformidade com a LGPD impulsiona mudança estratégica
O Figma, uma das plataformas de design colaborativo mais populares do mundo, deu um passo concreto para se adequar ao mercado brasileiro. A empresa anunciou que começará a hospedar os dados de seus clientes no Brasil, utilizando data centers localizados na região de São Paulo. A decisão não é apenas técnica, mas também regulatória: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que dados pessoais de cidadãos brasileiros sejam tratados dentro do país ou em jurisdições com nível equivalente de proteção. Com a hospedagem local, o Figma elimina riscos de transferência internacional e oferece às empresas brasileiras uma camada extra de conformidade.
Dylan Field, CEO e cofundador do Figma, destacou em comunicado oficial que a empresa está comprometida em oferecer a melhor experiência para seus usuários globais, respeitando as leis locais. "O Brasil é um mercado estratégico para nós, e queremos garantir que nossos clientes tenham total controle sobre seus dados", afirmou o executivo. A mudança também responde a uma demanda antiga de grandes contas corporativas, que evitavam assinar contratos com provedores estrangeiros por causa de cláusulas de jurisdição.
A implementação da nova infraestrutura foi feita em parceria com a Amazon Web Services (AWS), que já possui data centers no Brasil desde 2011. O Figma utilizou a região Sul (sa-east-1) para replicar seu ambiente de produção, garantindo que todos os arquivos criados por usuários brasileiros sejam armazenados localmente. A migração dos dados existentes será feita de forma gradual e transparente, sem interrupções no serviço.
Impacto no desempenho e na experiência do usuário
Além da questão legal, a hospedagem local traz benefícios práticos. Com servidores mais próximos, a latência das operações de upload, download e colaboração em tempo real deve cair significativamente. Para designers que trabalham com arquivos pesados de interface, a diferença pode ser sentida logo nos primeiros segundos de uso. Carlos Silva, diretor do Figma para a América Latina, explicou que a empresa mediu ganhos de até 40% na velocidade de carregamento de protótipos complexos. "Antes, cada requisição precisava cruzar o oceano. Agora, o caminho é muito mais curto", disse.
A mudança também beneficia equipes distribuídas. Empresas com escritórios em várias regiões do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, terão uma experiência mais uniforme, já que os dados não precisarão mais ser roteados por hubs internacionais. O Figma mantém sua arquitetura global, mas agora prioriza a conexão local para contas brasileiras. Isso inclui o armazenamento de versões, comentários e ativos de design.
Outro ponto relevante é a segurança. Com a hospedagem no Brasil, o Figma se compromete a seguir as diretrizes da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A empresa também implementou criptografia de ponta a ponta para dados em trânsito e em repouso, e oferece aos clientes corporativos a possibilidade de auditar os logs de acesso aos servidores. A medida deve aumentar a confiança de setores regulados, como finanças e saúde, que são grandes usuários de ferramentas de design.
Próximos passos do Figma no Brasil
A decisão de hospedar dados localmente é apenas o primeiro movimento de uma estratégia mais ampla. O Figma planeja expandir sua equipe no Brasil, com abertura de vagas para engenheiros de suporte e especialistas em conformidade. A empresa também estuda a criação de um centro de desenvolvimento no país, focado em adaptar a plataforma para as necessidades locais. Dylan Field já havia mencionado em entrevistas anteriores que o Brasil está entre os cinco maiores mercados do Figma, com uma base de usuários que cresce 30% ao ano.
A novidade chega em um momento em que concorrentes como Sketch e Adobe XD também buscam alternativas de armazenamento local para atrair clientes corporativos brasileiros. O Figma, no entanto, leva vantagem por ser nativamente colaborativo e baseado em navegador, sem necessidade de instalação. Com a hospedagem local, a empresa elimina uma das principais objeções de compra: a localização dos dados.
Para usuários individuais e pequenos estúdios, a mudança não deve alterar o funcionamento básico da ferramenta. As funcionalidades continuam as mesmas, e os planos gratuitos e pagos permanecem inalterados. A principal diferença está na tranquilidade de saber que suas criações estão protegidas pela legislação brasileira. O Figma promete publicar um guia detalhado sobre a nova política de armazenamento nos próximos dias, além de realizar webinars para esclarecer dúvidas de clientes.
A migração completa dos dados deve ocorrer até o final do trimestre, de forma automática para todos os usuários que criaram suas contas a partir do Brasil. Quem já possuía conta terá a opção de solicitar a transferência manualmente, caso não queira esperar. O suporte ao cliente está preparado para atender eventuais questões, e a empresa garante que não haverá perda de arquivos durante o processo.
Com essa medida, o Figma se alinha a outras gigantes de tecnologia que já mantêm data centers no Brasil, como Google, Microsoft e Amazon. A tendência é que cada vez mais plataformas de software adotem a residência local de dados como padrão, especialmente após a entrada em vigor da LGPD. O Brasil, com sua economia digital em expansão, exige que provedores estrangeiros se adaptem ou percam espaço para concorrentes nacionais.