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Global Dollar Bank: a fintech que quer desafiar o sistema bancário tradicional com US$ 180 milhões

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Por Redação tecma.tech23 de julho de 20268 min de leitura
Global Dollar Bank: a fintech que quer desafiar o sistema bancário tradicional com US$ 180 milhões
  • A Global Dollar Bank, também conhecida como Augustus, levantou US$ 180 milhões em uma Série B liderada por grandes investidores de Wall Street.
  • A fintech aposta em uma plataforma de banking-as-a-service (BaaS) focada em empresas que lidam com moedas globais, prometendo taxas e infraestrutura mais eficientes que as dos bancos tradicionais.
  • O valor deve impulsionar a expansão internacional da empresa e o desenvolvimento de novos produtos financeiros, sinalizando uma nova onda de competição no setor bancário digital.

Augustus e os US$ 180 milhões que abalam o setor financeiro

A fintech Global Dollar Bank, que opera sob a marca Augustus, acaba de fechar uma rodada de financiamento Série B de US$ 180 milhões. O investimento foi liderado por nomes de peso como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Point72 Ventures, além de fundos soberanos do Oriente Médio. A rodada eleva o valuation da empresa para algo em torno de US$ 1,2 bilhão, colocando-a no seleto grupo dos unicórnios brasileiros – sim, a Augustus é uma fintech fundada por brasileiros e sediada em Nova York.

Fundada em 2019 por André Maciel e Leo Cheng, a Augustus nasceu com a proposta de ser um banco global para empresas. Enquanto fintechs tradicionais focam em pessoas físicas ou pequenos negócios locais, a Augustus decidiu mirar em um problema mais complexo: a gestão de caixa e tesouraria de empresas que operam em múltiplas moedas. O modelo é conhecido como banking-as-a-service (BaaS) e, na prática, significa que a Augustus oferece uma plataforma tecnológica completa para que outras empresas possam oferecer serviços financeiros sem precisar ter uma licença bancária própria.

A rodada de US$ 180 milhões é a maior do ano no segmento de BaaS na América Latina, e uma das maiores globalmente. O dinheiro será usado para acelerar a expansão internacional – a Augustus já tem operações nos Estados Unidos, Brasil, México e Reino Unido – e para contratar talentos em engenharia e compliance.

O banco que não é banco: o modelo BaaS da Augustus

Para entender a ambição da Augustus, é preciso primeiro entender o que é banking-as-a-service. Diferente de um banco digital tradicional, que oferece contas e cartões diretamente ao consumidor final, uma plataforma BaaS fornece a infraestrutura tecnológica para que outras empresas criem seus próprios produtos financeiros. Isso pode incluir desde contas digitais com funcionalidades de câmbio até sistemas de pagamento integrados a ERPs e plataformas de e-commerce.

A Augustus construiu uma tecnologia proprietária que se conecta a múltiplos bancos globais e sistemas de pagamento, permitindo que seus clientes – que são outras empresas – ofereçam serviços financeiros multicâmbio com taxas muito mais baixas que as praticadas pelos bancos de varejo. A empresa afirma que sua plataforma reduz em até 80% o custo de transações internacionais, algo que historicamente sempre foi caro e burocrático, especialmente para empresas de médio porte.

“O que entregamos é a possibilidade de qualquer empresa se tornar global sem precisar de um banco global”, disse André Maciel em entrevista ao The Next Web. “Nossa tecnologia abstrai toda a complexidade de operar em múltiplos países, múltiplas moedas e múltiplas regulamentações. As empresas só precisam se preocupar com seu negócio.”

A plataforma oferece contas em dólar, euro e libra, com capacidade de conversão em tempo real e integração direta com ERPs como SAP e Oracle. O diferencial competitivo, segundo a empresa, está na velocidade e na transparência das tarifas, que são calculadas com base nas taxas de câmbio do mercado interbancário.

Goldman Sachs e Morgan Stanley: os gigantes que apostam na disrupção

A presença de Goldman Sachs e Morgan Stanley como investidores da Augustus não é coincidência. Esses bancos de investimento vêm, nos últimos anos, perdendo terreno para fintechs em áreas como pagamentos internacionais e tesouraria corporativa. Ao investir na Augustus, eles não apenas apostam em um novo modelo de negócios, como também garantem acesso antecipado à tecnologia de ponta da fintech.

A Point72 Ventures, braço de venture capital do fundo hedge operado por Steve Cohen, também entrou na rodada. A Point72 já investiu em empresas como Circle, Plaid e Nubank, o que mostra que o mercado financeiro tradicional está de olho nas empresas que podem desintermediá-lo.

O montante levantado – US$ 180 milhões – é particularmente significativo em um momento de crise de liquidez no setor de venture capital global. Desde o segundo semestre de 2022, as rodadas de financiamento para fintechs encolheram drasticamente, com investidores priorizando startups que já mostram receita clara e caminho para o lucro. A Augustus, que não revela números de receita, mas afirma ter crescido 400% ao ano nos últimos dois anos, conseguiu atrair capital justamente por sua tração e modelo de negócios defensável.

O desafio regulatório e a concorrência

Apesar do otimismo, o caminho da Augustus não é isento de obstáculos. O principal deles é a regulação. Operar como plataforma BaaS global significa lidar com as leis de cada país onde a empresa atua ou pretende atuar. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Augustus opera com uma licença de transmissor de dinheiro em vários estados, mas ainda não possui uma carta bancária federal. No Brasil, a empresa precisa se adaptar às regras do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Outro desafio é a concorrência. O mercado de BaaS está ficando cada vez mais disputado. Empresas como Plaid, Stripe (com sua plataforma Treasury), Unit e FintechOS já oferecem soluções similares. A diferença, segundo Leo Cheng, cofundador da Augustus, está no foco em moedas globais. “A maioria das plataformas de BaaS nasceu para atender o mercado doméstico dos EUA. Nós nascemos globais. Nosso core é a infraestrutura para múltiplas moedas, e isso é algo que os bancos tradicionais ainda não fazem bem de forma automatizada.”

A competição também vem dos próprios bancos tradicionais. Instituições como JPMorgan Chase e Citibank estão investindo pesado em APIs e plataformas abertas para atrair fintechs como clientes. A diferença, no entanto, é que a Augustus não compete com os bancos, mas os usa como backend. “Nós não somos um banco, somos uma plataforma que otimiza a conexão com dezenas de bancos. Não queremos ter o balanço de um banco, queremos ser a camada de inteligência que fica entre a empresa e o sistema financeiro”, explicou Maciel.

O que esperar da Augustus no horizonte de 2024 e 2025

Com o novo capital em caixa, a Augustus planeja abrir escritórios em Singapura e Dubai, dois hubs financeiros estratégicos para atender empresas asiáticas e do Oriente Médio. A empresa também pretende lançar uma versão simplificada de sua plataforma voltada para startups em estágio inicial, com funcionalidades básicas de conta global e câmbio, por um valor mensal reduzido.

Em termos de produto, a equipe de engenharia está trabalhando em funcionalidades de inteligência artificial para prever fluxos de caixa e sugerir a melhor moeda para realizar transações em tempo real, algo que, segundo a empresa, pode gerar economia de até 30% para clientes com operações em múltiplos países.

A Augustus também sinalizou que pode abrir seu capital nos próximos anos. Um IPO seria um movimento natural para uma empresa que já atrai investidores institucionais como Goldman Sachs. “Estamos construindo algo que pode ser a espinha dorsal financeira de milhares de empresas globais”, concluiu Maciel. “O dinheiro que levantamos é o combustível para essa visão.”

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