Halliday G2: óculos inteligentes sem câmera para reuniões focam na privacidade

- A Halliday lançou o G2, um par de óculos inteligentes que remove a câmera e foca exclusivamente em produtividade em reuniões de trabalho.
- A startup, fundada por ex-engenheiros da Apple, aposta na privacidade como diferencial em um mercado dominado por dispositivos com câmeras.
- O G2 traz transcrição em tempo real, resumo de conversas e integração com calendários, com previsão de entrega para o segundo semestre de 2025.
Privacidade como prioridade: o novo posicionamento da Halliday
A Halliday, startup de wearables fundada por ex-engenheiros da Apple, apresentou ao mercado o G2, seu segundo modelo de óculos inteligentes. A grande novidade? A ausência total de câmeras. Em um segmento onde a maioria dos concorrentes — como o Ray-Ban Meta e o Snap Spectacles — embute câmeras para capturar fotos e vídeos, a Halliday decidiu seguir um caminho oposto: focar em reuniões de trabalho, com ferramentas de inteligência artificial que priorizam a privacidade dos usuários e das pessoas ao redor.
O CEO da empresa, Charles Huang, explicou em entrevista ao The Next Web que a decisão veio após ouvir feedback de profissionais que usaram o modelo anterior, o G1, que contava com uma câmera discreta. "Muitos nos disseram que a câmera era um problema, tanto por questões de privacidade alheia quanto por não se sentirem confortáveis em usar os óculos em ambientes confidenciais", afirmou Huang. "Percebemos que o verdadeiro valor dos óculos inteligentes para o trabalho não está em gravar vídeos, mas em acessar informações de forma rápida e discreta durante conversas."
O G2 é um dispositivo que se conecta ao smartphone e projeta informações diretamente no campo de visão do usuário por meio de um display microOLED de alta resolução, embutido na haste direita. O sistema é controlado por um touchpad na lateral e por comandos de voz, sem depender de gestos manuais ou câmeras para rastreamento.
O que o G2 faz de diferente?
A ausência de câmera não significa menor capacidade. Pelo contrário: o G2 foi projetado para ser um assistente de reuniões pessoal. Ele é capaz de transcrever conversas em tempo real — com precisão de até 95% em inglês, segundo a empresa — e gerar resumos automáticos ao final de cada encontro. O sistema também pode identificar quem está falando, desde que os participantes sejam previamente cadastrados no aplicativo complementar.
Além disso, o G2 integra-se com calendários (Google Calendar, Outlook) e plataformas de videoconferência (Zoom, Microsoft Teams) para exibir lembretes, cronogramas e até mesmo sugestões de respostas durante uma chamada. O dispositivo também é capaz de traduzir conversas em tempo real, com suporte inicial para inglês, espanhol, francês e mandarim.
Do ponto de vista técnico, o G2 utiliza um processador Qualcomm Snapdragon XR2 de segunda geração, combinado com 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno. A bateria promete até 8 horas de uso contínuo em modo de transcrição, e o carregamento é feito por indução, com uma base que acompanha o produto. As lentes podem ser personalizadas com grau, e o design é leve, pesando apenas 42 gramas.
A Halliday também desenvolveu um modo "conversa privada", em que o óculos silencia notificações e apenas exibe informações relevantes quando o usuário toca no touchpad, evitando distrações e garantindo que ninguém ao redor veja o conteúdo projetado.
Para quem é o Halliday G2?
O público-alvo do G2 são profissionais que passam boa parte do dia em reuniões — executivos, consultores, advogados, jornalistas e vendedores. A empresa acredita que o dispositivo pode substituir o uso de cadernos e gravadores, além de reduzir a necessidade de olhar para o celular durante encontros presenciais.
"O G2 é um produto para quem quer estar presente na conversa, mas não quer perder nenhum detalhe importante", disse Charles Huang. "Ele não substitui o cérebro, mas funciona como uma extensão discreta da memória."
A startup também está desenvolvendo parcerias com empresas de software de produtividade, como Notion e Evernote, para que os resumos gerados pelo G2 possam ser sincronizados automaticamente com as plataformas preferidas dos usuários. A Halliday afirma que o ecossistema de aplicativos será aberto via SDK, permitindo que desenvolvedores criem funcionalidades personalizadas.
Do ponto de vista regulatório, a ausência de câmera elimina preocupações com leis de privacidade em diferentes países, como o GDPR na Europa e a LGPD no Brasil. A empresa já está em conversas com escritórios de advocacia e consultorias para adoção corporativa do dispositivo.
Disponibilidade e preço
O Halliday G2 será vendido inicialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, com preço sugerido de US$ 649 (cerca de R$ 3.600 em conversão direta). As pré-vendas começam em abril de 2025, com entregas previstas para agosto. A empresa planeja expandir para outros mercados, incluindo o Brasil, a partir de 2026.
O modelo será oferecido em três cores: preto, cinza e azul-escuro, todas com armação de acetato e hastes de titânio. A versão com lentes de grau terá um custo adicional de US$ 100 (aproximadamente R$ 550). A Halliday também oferecerá um plano de assinatura opcional, por US$ 9,99 ao mês, que inclui armazenamento em nuvem das transcrições e acesso a recursos avançados de IA, como análise de sentimento e detecção de tópicos.
A reação inicial do mercado foi positiva. Analistas apontam que o G2 pode abrir um novo nicho no mercado de wearables, especialmente após o fracasso de dispositivos como o Google Glass e o fracasso relativo do HoloLens em ambientes corporativos. "A Halliday aprendeu com os erros dos gigantes", disse Michael S. Kim, analista da consultoria TechInsights. "Eles não estão tentando fazer um computador de realidade aumentada para todos. Estão resolvendo um problema específico de um público valioso."
O maior desafio, no entanto, será convencer os consumidores a pagar mais de US$ 600 por um dispositivo que, na prática, funciona como um gravador de voz inteligente e um display heads-up. A empresa aposta no design premium e na integração com o ecossistema de produtividade para justificar o valor. Resta saber se o mercado de reuniões corporativas é grande o suficiente para sustentar o crescimento da startup.