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IBM tem maior queda em ações desde 1972 após CEO admitir impacto da IA nos negócios

Por Redação tecma.tech15 de julho de 202612 min de leitura
IBM tem maior queda em ações desde 1972 após CEO admitir impacto da IA nos negóciosImagem ilustrativa gerada por IA
  • A IBM enfrentou uma forte reação do mercado após seu CEO, Arvind Krishna, admitir que a empresa não se adaptou rapidamente a uma mudança no comportamento de investimento dos clientes.
  • As ações da IBM fecharam em queda de 25%, a maior desvalorização desde 1972, resultando em uma perda de US$ 68 bilhões (R$ 346,12 bilhões) em valor de mercado.
  • O resultado do segundo trimestre de 2026 ficou abaixo das expectativas, principalmente devido ao desempenho fraco da área de infraestrutura, com receita caindo 7% nos tradicionais mainframes Z e softwares associados.
  • A causa foi uma realocação dos gastos de capital dos clientes para servidores, armazenamento e memória, visando garantir capacidade para sustentar cargas de trabalho de IA, diante de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços.
  • Essa mudança inesperada nas prioridades dos clientes levou ao cancelamento ou atraso de grandes contratos, impactando negativamente o resultado.
  • Em contrapartida, a infraestrutura distribuída da IBM, que inclui servidores e armazenamento modernos, teve crescimento histórico de 37% no trimestre, refletindo a demanda por tecnologia para IA.
  • O CEO afirmou que o resultado não altera a estratégia de longo prazo da empresa.
  • A IBM também anunciou o Lightwell, uma iniciativa de US$ 5 bilhões em IA para gerenciamento de vulnerabilidades, e mantém investimentos de mais de US$ 10 bilhões em computação quântica até 2029.
  • O balanço do trimestre mostrou receita total de US$ 17,2 bilhões, com alta de 1% anual, mas o mercado reagiu negativamente à falta de adaptação da IBM ao novo ciclo de investimentos.

A International Business Machines (IBM) sofreu uma das maiores desvalorizações de sua história recente. As ações da gigante de tecnologia fecharam em queda de 25% na última quarta-feira, marcando o pior desempenho diário desde 1972, de acordo com o jornal Financial Times. O movimento ocorreu após a divulgação de uma carta aos investidores na qual o CEO, Arvind Krishna, reconheceu publicamente que a empresa falhou em reagir rapidamente a uma mudança inesperada no comportamento de compra dos clientes. Com a derrocada, a IBM perdeu aproximadamente US$ 68 bilhões (cerca de R$ 346,12 bilhões) em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. A reação do mercado foi imediata e brutal, refletindo a frustração dos investidores com a falta de agilidade da companhia em um momento de transformação tecnológica impulsionada pela inteligência artificial.

A causa principal da correção de rota foi o desempenho do segundo trimestre de 2026, cujo balanço completo será divulgado na próxima quarta-feira. Na carta, Krishna afirmou que o resultado ficou abaixo das expectativas, especialmente na divisão de infraestrutura. A receita dessa área caiu 7%, puxada pelos negócios relacionados aos sistemas Z (os mainframes tradicionais da IBM) e pelos softwares associados, sobretudo em processamento de transações. O executivo foi direto ao admitir a falha: 'Essas condições exigiam que nossas equipes executassem perfeitamente, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não nos movemos rápido o suficiente.' Diversos grandes contratos deixaram de ser concluídos nos prazos esperados, representando a maior parte do impacto negativo no resultado.

O diagnóstico da IBM aponta uma mudança abrupta na estratégia de investimento dos clientes. Nas últimas semanas de junho, empresas de diversos setores passaram a direcionar seus gastos de capital para a compra de servidores, armazenamento e memória, buscando garantir equipamentos diante de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços. Esse movimento foi motivado pelo aumento dos investimentos em inteligência artificial, que exigem uma infraestrutura capaz de sustentar cargas de trabalho pesadas. Embora a empresa já esperasse algum impacto relacionado à cadeia de suprimentos, a intensidade da mudança nas prioridades dos clientes surpreendeu a diretoria. Em vez de seguirem o cronograma esperado para compras tradicionais da IBM, os clientes realocaram orçamentos para garantir capacidade de computação antes de possíveis gargalos.

Apesar do tombo nos mainframes, um segmento da IBM mostrou resiliência e até crescimento expressivo. A chamada infraestrutura distribuída — que agrupa servidores, armazenamento e soluções voltadas a ambientes tecnológicos mais modernos — registrou o melhor desempenho histórico da companhia, com crescimento de 37% no trimestre. Esse contraste expõe o dilema estratégico da IBM: enquanto seu legado de mainframes sofre, a demanda por sistemas mais flexíveis e escaláveis para IA explode. A empresa também anunciou o Lightwell, uma iniciativa de US$ 5 bilhões (R$ 25,45 bilhões) voltada ao uso de novas capacidades de IA para criar uma plataforma de confiança no gerenciamento de vulnerabilidades em softwares de código aberto, com participação de mais de 20 mil engenheiros. Além disso, a IBM mantém o compromisso de investir mais de US$ 10 bilhões (R$ 50,9 bilhões) nos próximos cinco anos em computação quântica, com a meta de entregar o primeiro computador quântico de grande escala tolerante a falhas até 2029.

O balanço do trimestre mostrou receita total de US$ 17,2 bilhões (R$ 87,54 bilhões), alta de 1% na comparação anual. A divisão de software cresceu 5%, enquanto a área de consultoria ficou praticamente estável. O lucro por ação ajustado subiu 5%, para US$ 2,93 (R$ 14,91). Contudo, o desempenho da infraestrutura abaixo do esperado levou o mercado a revisar drasticamente a percepção sobre a capacidade da IBM de se adaptar ao novo ciclo de investimentos em tecnologia. O CEO Arvind Krishna afirmou que o resultado não muda a confiança na estratégia de longo prazo, mas a reação dos investidores sugere que a paciência com a transição pode estar se esgotando. A IBM, que já foi sinônimo de inovação em computação corporativa, agora precisa mostrar que consegue virar a página dos mainframes e abraçar de forma mais agressiva o futuro da IA.

A queda de 25% é um alerta não apenas para a IBM, mas para todo o setor de tecnologia. Ela sinaliza que o mercado está cada vez menos tolerante com empresas que demoram a se adaptar às mudanças estruturais impulsionadas pela inteligência artificial. Enquanto startups e concorrentes como AWS, Microsoft Azure e Google Cloud capturam a maior parte dos investimentos em infraestrutura de IA, a IBM parece presa entre seu legado e a necessidade de inovar. A empresa ainda tem pontos fortes — como a base instalada de mainframes em bancos e seguradoras —, mas a migração para computação em nuvem e IA exige uma velocidade que, até agora, não foi demonstrada. Resta saber se os bilhões de dólares prometidos em IA e computação quântica serão suficientes para reverter a percepção do mercado e recolocar a IBM na rota do crescimento sustentável.

Fontes Consultadas

Atualizações deste Artigo

  • Reescrita jornalística com SEO
  • Imagem IA
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