Lua crescente gibosa domina o céu desta quinta-feira (23/07/2026); saiba como observar o espetáculo

- A Lua desta quinta-feira, 23 de julho de 2026, apresenta-se em fase crescente gibosa, com aproximadamente 70% de iluminação visível.
- A fase é ideal para telescópios e astrofotografia, revelando crateras como Tycho e os mares da Tranquilidade e da Serenidade.
- O satélite natural se aproxima da Lua Cheia do dia 29, que será a última superlua parcialmente visível do ano.
- Cientistas da NASA destacam a importância das fases lunares para o planejamento das missões Artemis, que visam levar humanos de volta ao solo lunar até 2028.
A Lua crescente de julho de 2026: o que esperar do céu noturno
Se você apontar o olhar para o céu hoje, a noroeste do zênite, verá um disco prateado com um lado ainda na sombra. A Lua está em sua fase crescente gibosa. O termo técnico, usado por astrônomos amadores e profissionais, descreve exatamente o momento em que mais da metade da face lunar está iluminada pelo Sol, mas o satélite ainda não atingiu o brilho total da Cheia. No calendário astronômico de julho, a Lua Cheia oficial ocorre na próxima quarta-feira, 29 de julho, às 15h36 (horário de Brasília).
A fase de hoje marca o terceiro estágio do ciclo sinódico, que dura cerca de 29,5 dias. Durante a crescente gibosa, a iluminação aumenta gradualmente. Neste 23 de julho, estima-se que 70% da superfície voltada para a Terra esteja banhada pela luz solar. É um período particularmente favorável para quem deseja observar detalhes geológicos. As sombras projetadas ao longo do terminador, a linha que separa o lado iluminado do escuro, criam contrastes profundos em crateras como Copérnico, Tycho e Aristarco. O astronauta e geólogo Harrison Schmitt, que caminhou na Lua durante a Apollo 17, descreveu em seus diários a sensação de ver aquelas sombras dramáticas. “Elas revelam uma topografia que fotos com iluminação frontal nunca mostram”, escreveu.
Para os curiosos que não têm telescópio, a observação a olho nu já impressiona. A Lua crescente gibosa é uma das fases mais brilhantes do ciclo, perdendo apenas para a Cheia. É visível durante grande parte da noite, nascendo no início da tarde e se pondo antes do amanhecer. Hoje, em praticamente todo o Brasil, o pôr da Lua ocorrerá por volta da 1h da madrugada, dependendo da longitude. Aplicativos como SkySafari e Stellarium permitem localizar exatamente onde ela estará no céu da sua cidade.
Por que a fase lunar importa para a ciência e para as missões espaciais
A fase da Lua não é apenas um fenômeno visual. Ela tem implicações científicas e práticas para a exploração espacial. A NASA e a Agência Espacial Europeia utilizam as fases lunares para programar lançamentos e operações de superfície. Durante a crescente gibosa, por exemplo, a luz solar incide de forma oblíqua sobre o polo sul lunar, uma região de interesse para as futuras missões tripuladas Artemis. O diretor do Programa Artemis, Amit Kshatriya, explicou em uma coletiva recente que “a iluminação no polo sul é um fator crítico. As fases gibosas oferecem a melhor combinação de luz para navegação e sombra para proteção térmica”.
Além da exploração, as fases regulam ciclos naturais na Terra. Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que a luminosidade noturna afeta o comportamento de espécies marinhas, como os corais que liberam gametas sincronizados com a Lua Cheia. A fase crescente gibosa também é um indicador para a agricultura tradicional: muitos produtores rurais no Brasil ainda seguem o calendário lunar para plantio e colheita, acreditando que a seiva das plantas é mais abundante durante a Lua crescente.
Em termos de ciência cidadã, a fase atual é convidativa para projetos de astrofotografia. A combinação de luz e sombra permite capturar imagens de alta resolução da superfície. Grupos como a Rede de Astronomia Observacional (REA) incentivam observadores a registrar a Lua crescente e compartilhar dados para mapeamento colaborativo de crateras. Em 2025, um levantamento da REA mostrou que mais de 12 mil fotos foram submetidas durante fases gibosas, contribuindo para o refinamento do modelo digital de terreno da Lua.
Como observar a Lua hoje: dicas de telescópio e aplicativos
Para quem quer aproveitar o espetáculo desta noite, algumas dicas práticas. O melhor horário de observação é entre 20h e 23h, quando a Lua está alta no céu e a poluição luminosa é menor. Um telescópio com abertura de pelo menos 70 mm revela detalhes nítidos das crateras. A cratera Tycho, no hemisfério sul, é um dos destaques: suas bordas irregulares e pico central são mais facilmente identificados com iluminação lateral. Já o Mare Tranquillitatis (Mar da Tranquilidade), localizado a leste, mostra uma superfície mais lisa, marcada por antigos fluxos de basalto.
Aplicativos como Moon Globe e Lunar Phase fornecem mapas interativos com os nomes de todas as formações visíveis. Para astrofotografia, recomenda-se o uso de câmeras com lente teleobjetiva de 200 mm ou mais, ajustando o ISO para 400 e a abertura para f/8. A estabilidade é fundamental: um tripé robusto evita tremidos. O fotógrafo Babak Tafreshi, membro da National Geographic, costuma dizer que “a Lua crescente gibosa é o melhor momento para fotografar, porque as sombras contam histórias geológicas”.
Se preferir observar de casa, transmissões ao vivo de telescópios robóticos, como o Slooh ou o Virtual Telescope Project, oferecem imagens em tempo real. Basta acessar o site e clicar no link da Lua. Hoje, a cobertura terá início às 21h (horário de Brasília), com narração do astrônomo Gianluca Masi. A programação inclui detalhes sobre as maria e as montanhas da Lua.
A Lua como alvo: as próximas missões tripuladas e o retorno humano ao solo lunar
O ciclo lunar de julho de 2026 ganha um significado extra quando olhamos para a agenda espacial. A fase crescente gibosa de hoje lembra que a Lua está cada vez mais no centro da estratégia de exploração humana. A Artemis III, prevista para 2028, planeja pousar no polo sul lunar, onde a luz do Sol incide em ângulo baixo constante. A iluminação ideal para os painéis solares dos módulos de pouso ocorre exatamente em fases gibosas, como a de agora. O administrador da NASA, Bill Nelson, declarou em junho que “cada fase lunar nos aproxima do momento em que humanos viverão e trabalharão na Lua”.
Empresas privadas também estão de olho. A SpaceX está desenvolvendo a nave Starship como parte do contrato de pouso humano. Já a Blue Origin anunciou seu módulo Blue Moon Mark 2, que pode ser testado em solo lunar já em 2027. As fases da Lua afetam não só a iluminação, mas também a temperatura. Durante a crescente gibosa, a temperatura da superfície no lado iluminado chega a 120 °C, enquanto no escuro cai para -180 °C. Sistemas de proteção térmica das naves precisam ser testados nesses extremos.
Para o Brasil, a Lua também representa uma oportunidade. O programa LunaBR, da Agência Espacial Brasileira, planeja enviar um rover científico até 2030 para estudar o regolito. A fase crescente gibosa oferece janelas de comunicação favoráveis, já que a Lua fica visível por mais tempo durante a noite brasileira. O presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, afirmou que “a participação internacional em missões lunares depende do conhecimento das fases e do timing orbital”. Assim, observar a Lua hoje não é só um deleite visual, mas um exercício de conexão com o futuro da exploração espacial.
O que muda até a Lua Cheia: um calendário de observação para os próximos dias
De hoje até 29 de julho, a Lua crescerá em iluminação até atingir 100%. Nos próximos dias, o terminador se deslocará para oeste, revelando novas crateras a cada noite. Os melhores dias para observar detalhes do hemisfério sul são 24 e 25 de julho, quando as crateras Clavius e Maginus estarão na fronteira da luz. Já no dia 26, o Mare Imbrium (Mar das Chuvas) estará totalmente iluminado, formando uma grande região escura que contrasta com as montanhas circundantes.
A Lua Cheia de 29 de julho será especial: trata-se da terceira Lua Cheia do verão no hemisfério norte, conhecida como Lua do Cervo ou Buck Moon. Embora não seja uma superlua oficial (a distância da Terra será de 384.500 km), seu brilho será 15% maior que a média. Para o Brasil, o nascer da Lua ocorrerá às 17h30, coincidindo com o pôr do Sol, o que cria o efeito visual da Lua gigante próxima ao horizonte. É o ápice do ciclo lunar de julho.
Astrônomos amadores já estão se preparando. O Clube de Astronomia do Rio de Janeiro organiza uma observação pública no Aterro do Flamengo no sábado, 25 de julho, com telescópios e palestras. O evento é gratuito e aberto. Maria Thereza de Barros, coordenadora do clube, convida: “Venham ver a Lua como Galileu viu. Cada fase é uma janela para o cosmos”.
Seja para admirar a beleza natural, praticar astrofotografia ou sonhar com o futuro espacial, a Lua crescente gibosa desta quinta-feira oferece muito mais do que um ponto no céu. Ela é um lembrete de que o satélite natural ainda guarda segredos e que a humanidade está prestes a voltar a pisar em seu chão.