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Nokia lucra com boom de IA e data centers no segundo trimestre de 2026

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Por Redação tecma.tech30 de julho de 20268 min de leitura
Nokia lucra com boom de IA e data centers no segundo trimestre de 2026
  • A Nokia anunciou lucro acima do esperado no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela forte demanda por infraestrutura de rede para data centers.
  • O CEO Pekka Lundmark destacou que o crescimento foi puxado por contratos com grandes empresas de tecnologia que expandem seus data centers para dar suporte à inteligência artificial generativa.
  • O resultado positivo sinaliza uma recuperação consistente da empresa finlandesa, que agora vê na corrida pela IA uma nova fonte de receita.

Nokia colhe frutos da corrida por infraestrutura de IA

A Nokia apresentou resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 que superaram as expectativas do mercado, impulsionados por uma demanda explosiva por equipamentos de rede voltados para data centers. A empresa finlandesa registrou lucro líquido de € 587 milhões entre abril e junho, um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total atingiu € 6,2 bilhões, superando em 4% a projeção média dos analistas. O desempenho foi liderado justamente pela unidade de negócios de infraestrutura de rede, que viu suas vendas saltarem 11% na comparação anual, para € 2,8 bilhões.

O CEO Pekka Lundmark atribuiu o resultado ao momento em que as big techs estão construindo e expandindo seus data centers para suportar modelos de inteligência artificial generativa. "Estamos vendo um ciclo de investimento em data centers como não se via há anos. As empresas estão correndo para atualizar sua capacidade computacional e a Nokia é uma peça chave nessa engrenagem", afirmou Lundmark durante a teleconferência de resultados. A empresa tem fornecido roteadores, switches e sistemas ópticos de alta capacidade que são essenciais para interligar os milhares de servidores dentro de um data center e também conectar diferentes data centers entre si.

O segmento de Redes de Acesso Óptico (Fixed Networks) também teve desempenho positivo, com aumento de 7% na receita. Já a divisão de Redes Móveis, que historicamente responde pela maior parte do faturamento da Nokia, registrou queda de 3% nas vendas, para € 2,1 bilhões. A retração foi explicada pela desaceleração nos investimentos em infraestrutura 5G em mercados maduros como Europa e América do Norte. Mesmo assim, o resultado geral da companhia foi o mais forte em cinco trimestres.

Data centers: o novo motor de crescimento

A demanda por equipamentos de rede para data centers se tornou o principal motor de curto prazo para a Nokia. A empresa fechou contratos significativos com pelo menos três dos maiores provedores de serviços em nuvem dos Estados Unidos – Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud. Dois desses contratos, segundo a própria Nokia, envolvem a implementação de redes baseadas na tecnologia de 800 gigabits por segundo, que permite maior velocidade e menor latência no tráfego de dados entre servidores.

Lundmark frisou que a tendência não é sazonal e deve se estender pelos próximos anos. "A inteligência artificial generativa exige uma quantidade colossal de dados sendo transferidos entre processadores e unidades de memória. Redes convencionais não dão conta. Estamos fornecendo a coluna vertebral para essa nova arquitetura", explicou o executivo. A Nokia estima que o mercado de equipamentos de rede para data centers crescerá a uma taxa composta anual de 12% até 2030, movimento que pode compensar a estagnação vista no mercado de equipamentos para telecomunicações.

A empresa também anunciou uma joint venture com a Intel para desenvolver chips de rede especializados para inteligência artificial. A parceria, formalizada em maio, combina o conhecimento da Nokia em roteamento e comutação com a arquitetura de processadores da Intel. Os primeiros produtos dessa colaboração devem chegar ao mercado no início de 2027. A iniciativa é vista por analistas como uma jogada estratégica para a Nokia reduzir a dependência de fornecedores externos de chips e criar soluções proprietárias que aumentem a margem de lucro.

Recuperação consistente após anos de desafios

Os resultados do segundo trimestre representam um alívio para a Nokia, que passou por um período conturbado entre 2022 e 2024. A empresa enfrentou uma forte desaceleração nas vendas de equipamentos 5G, especialmente na China e na América do Norte, além de problemas na cadeia de suprimentos que afetaram a produção de componentes. O preço das ações chegou a cair 40% em relação ao pico de 2021. A reestruturação iniciada por Lundmark em 2023, que incluiu cortes de custos, redução de pessoal e foco em nichos de alta margem, começa a dar resultados.

“A Nokia está emergindo de um período difícil com um portfólio mais enxuto e mais focado. O timing da recuperação coincidiu com o boom da IA, e a empresa está surfando essa onda muito bem”, avaliou David Zinsner, analista sênior da consultoria de tecnologia Gartner, em nota a clientes. Zinsner destacou que a Nokia ainda enfrenta forte concorrência da Ericsson e da Huawei no segmento de redes móveis, mas que nos data centers a vantagem competitiva está nas soluções ópticas e de alta velocidade, onde a Nokia tem posição de destaque.

A receita total de € 6,2 bilhões no trimestre ficou dentro do guidance revisado para cima pela própria empresa em maio. A Nokia agora projeta receita anual entre € 25 bilhões e € 26 bilhões para 2026, contra projeção anterior de € 24,5 bilhões a € 25,5 bilhões. O fluxo de caixa livre também surpreendeu positivamente, atingindo € 1,1 bilhão no trimestre, alta de 22% na comparação anual.

Perspectivas para o segundo semestre

Para os próximos trimestres, a Nokia espera que o mercado de data centers continue aquecido, mas também alertou para riscos geopolíticos. A empresa tem uma exposição significativa ao mercado chinês, onde a rival Huawei domina mais de 60% do mercado de redes. A Nokia mantém operações na China, mas a tensão comercial entre EUA e China pode afetar o fornecimento de componentes e fechar portas para novos contratos.

Outro ponto de atenção é a possível desaceleração dos investimentos em IA caso as big techs enfrentem pressão regulatória ou uma bolha de tecnologia. Lundmark minimizou os riscos. "Estamos falando de uma demanda estrutural. As empresas estão construindo capacidade para os próximos cinco a dez anos. Pode haver um ajuste aqui e ali, mas a tendência de longo prazo é clara", afirmou.

A Nokia também anunciou um programa de recompra de ações de € 600 milhões, a ser executado até o final de 2026, sinalizando confiança da administração na geração de caixa futura. As ações da Nokia fecharam o dia da divulgação dos resultados em alta de 3,4% na bolsa de Helsinque.

A expectativa para o terceiro trimestre é de receita entre € 6,0 bilhões e € 6,4 bilhões, com margem operacional entre 11% e 13%. A empresa espera que as entregas para data centers cresçam ainda mais no quarto trimestre, quando a demanda sazonal por capacidade computacional atinge o pico. Para o mercado, a mensagem da Nokia é clara: a inteligência artificial não é apenas uma moda passageira, mas sim uma transformação industrial que está sendo construída metro a metro sobre a infraestrutura fornecida por empresas como a finlandesa.

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