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Política e Tecnologia

Nova York usa IA para varrer legislação obsoleta e encontrar absurdos como taxa de US$ 25 para caçar com cachorro

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Por Redação tecma.tech17 de julho de 20263 min de leitura
Governadora Kathy Hochul sentada em uma cadeira de escritório moderno, com uma parede de vidro ao fundo e telas de computador mostrando gráficos de análise de leis. Ela veste um terno azul escuro e segura um tablet. Iluminação natural suave, ângulo frontal levemente inclinado, lente 85mm, profundidade de campo média, estilo fotojornalístico editorial.
  • A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anunciou o uso de inteligência artificial para revisar todas as regras, regulamentos e políticas do estado.
  • O projeto Regulatory Reset, desenvolvido com Stanford, identificou leis bizarras como taxa para caçar com cachorro e permissão para grávidas trabalharem após meia-noite.
  • O objetivo é modernizar a burocracia e reduzir de cinco anos para poucos meses a revisão de 18 milhões de palavras.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, quer usar inteligência artificial para fazer uma limpeza geral nas leis do estado. Em entrevista ao podcast Odd Lots, da Bloomberg, ela revelou que sua equipe está utilizando IA para analisar “cada regra, regulamento e política” em busca de legislação ultrapassada. A ideia é eliminar exigências anacrônicas que há décadas sobrecarregam cidadãos e empresas.

O projeto, batizado de Regulatory Reset, nasceu da constatação de que revisar manualmente todo o emaranhado de normas estaduais levaria cerca de cinco anos de trabalho braçal. Com a IA, o processo foi reduzido para alguns meses, analisando aproximadamente 18 milhões de palavras de estatutos. Hochul citou exemplos como a cobrança de uma taxa de US$ 25 para levar um cachorro para caçar e a exigência de que gestantes obtenham permissão especial para trabalhar após a meia-noite.

Para dar conta do desafio, o governo fechou parceria com o grupo de civic tech Recoding America e com a Universidade de Stanford. As ferramentas de IA foram treinadas para garimpar referências a tecnologias obsoletas (como fax, telegrama e telegrafia), requisitos de assinatura e notário que poderiam ser substituídos por processos digitais, e taxas ou permissões consideradas absurdas. O resultado é uma varredura que identifica, de forma automatizada, quais regras precisam ser modernizadas ou extintas.

O processo de avaliação é multicamadas: primeiro, as agências estaduais analisam os resultados apontados pela IA e verificam quais mudanças são viáveis. Depois, Hochul incorpora as alterações legislativas necessárias em sua agenda anual. O objetivo declarado é mudar a percepção de que Nova York é um ambiente hostil para negócios, removendo barreiras burocráticas que não fazem mais sentido.

Vale notar que essa iniciativa ocorre em um momento em que Hochul também assinou um pacote robusto de regulação de IA, que inclui o RAISE Act (lei que exige que desenvolvedores de modelos de fronteira publiquem protocolos de segurança e relatem incidentes em 72 horas) e a criação do Office of Digital Innovation, Governance, Integrity and Trust (DIGIT). A governadora equilibra, assim, o incentivo ao uso da tecnologia com a imposição de limites claros, especialmente após a recente assinatura de uma moratória para novos data centers de IA no estado.

O Regulatory Reset faz parte de uma agenda mais ampla de modernização do governo, anunciada por Hochul em seu discurso State of the State em janeiro de 2026. A expectativa é que, com a ajuda da IA, a máquina pública passe a ser vista como uma entidade que auxilia a população, e não como um labirinto de regras arcaicas. Se depender da governadora, a exigência de permissão para gestantes trabalharem à noite tem os dias contados.