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OpenAI e Anthropic quebram recorde de gastos com lobby no segundo trimestre

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Por Redação tecma.tech28 de julho de 202610 min de leitura
OpenAI e Anthropic quebram recorde de gastos com lobby no segundo trimestre
  • OpenAI e Anthropic investiram juntas mais de US$ 1,5 milhão em lobby nos EUA no segundo trimestre de 2024, segundo registros oficiais.
  • O aumento expressivo reflete a corrida das empresas de inteligência artificial para influenciar a regulação do setor no Congresso americano.
  • Especialistas apontam que os gastos podem continuar subindo conforme projetos de lei sobre IA avançam em Washington.

Lobby bilionário na corrida pela regulação da IA

A inteligência artificial generativa pode estar dominando as manchetes, mas nos bastidores de Washington o jogo é outro. OpenAI e Anthropic, duas das startups mais valiosas do setor, bateram recordes de gastos com lobby no segundo trimestre de 2024, segundo registros do Senado dos Estados Unidos. A OpenAI, criadora do ChatGPT, desembolsou US$ 1,1 milhão entre abril e junho, enquanto a Anthropic, responsável pelo Claude, gastou US$ 420 mil. Juntos, os valores superam com folga o que as empresas haviam investido em todo o ano anterior.

O montante coloca as duas companhias entre as maiores pagadoras de lobby do setor de tecnologia, ao lado de gigantes como Google, Microsoft e Meta. Mas o que motiva essa escalada? A resposta está em uma série de projetos de lei que tramitam no Congresso americano, desde a proteção de direitos autorais até a criação de uma agência federal para supervisionar modelos de IA de alto risco.

A ofensiva de Sam Altman e Dario Amodei

Em entrevistas recentes, o CEO da OpenAI, Sam Altman, deixou claro que a empresa quer sentar à mesa das negociações. "Não estamos apenas reagindo à regulação. Estamos ajudando a escrevê-la", disse ele durante uma conferência em São Francisco. Já Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, adotou um tom mais cauteloso: "Precisamos de regras claras, mas que não matem a inovação. O lobby nos permite explicar os riscos reais e as oportunidades técnicas para os legisladores."

Os registros mostram que as empresas contrataram firmas de lobby de peso, como a Brownstein Hyatt Farber Schreck e a Holland & Knight, além de manterem equipes internas dedicadas. A Anthropic, por exemplo, passou de um gasto trimestral de US$ 150 mil no início de 2023 para os atuais US$ 420 mil. O aumento é ainda mais notável considerando que a empresa só começou a fazer lobby de forma consistente no ano passado.

O que está em jogo: direitos autorais, segurança e empregos

Três grandes temas dominam a agenda de lobby das empresas. O primeiro é a questão dos direitos autorais. OpenAI e Anthropic enfrentam processos de autores, artistas e veículos de imprensa que acusam os modelos de terem sido treinados com obras protegidas sem autorização. As empresas defendem que o uso se enquadra no fair use (uso justo) e querem garantir que qualquer nova lei não as obrigue a pagar licenças retroativas.

O segundo tema é a segurança dos modelos. Projetos de lei como o AI Act americano e a proposta de criação de uma agência federal (a National AI Commission) podem exigir que empresas submetam novos modelos a testes de segurança antes do lançamento. As duas startups argumentam que regras muito rígidas favoreceriam gigantes como Google, que já possuem infraestrutura de compliance, enquanto sufocariam empresas menores.

O terceiro ponto envolve o impacto no mercado de trabalho. Com a automação de empregos se tornando uma preocupação real, o Congresso estuda incentivos para requalificação profissional. OpenAI e Anthropic querem influenciar esses incentivos para que incluam treinamento no uso de suas próprias ferramentas.

A reação dos críticos e a transparência dos gastos

Nem todos veem com bons olhos o aumento dos gastos. Sarah Myers West, diretora executiva do AI Now Institute, criticou a postura das empresas: "Elas dizem querer regulação, mas nos bastidores fazem de tudo para enfraquecer as propostas mais ambiciosas. O lobby recorde é um sinal de que a indústria quer moldar as regras a seu favor, não necessariamente proteger o público."

Em resposta, a OpenAI publicou em seu blog uma lista dos temas que defende no Congresso, incluindo a exigência de registro de modelos de alto risco e a criação de um fundo de compensação para artistas. A Anthropic, por sua vez, lançou uma página de transparência onde detalha seus gastos trimestrais com lobby, algo raro entre startups de tecnologia.

Os números do segundo trimestre mostram que a OpenAI gastou US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 6 milhões), um aumento de 40% em relação aos US$ 790 mil do primeiro trimestre. Já a Anthropic subiu de US$ 250 mil para US$ 420 mil, um salto de 68%. As duas empresas também contribuíram para comitês de ação política (PACs) de parlamentares-chave, como o senador Chuck Schumer (democrata de Nova York) e a deputada Nancy Pelosi (democrata da Califórnia).

O cenário futuro e a pressão regulatória global

O movimento não se limita aos Estados Unidos. Na União Europeia, o AI Act já está em vigor, e OpenAI e Anthropic têm escritórios em Bruxelas para acompanhar a implementação. No Brasil, o Projeto de Lei 2338/2023, que regula a IA, também é monitorado de perto. Embora os gastos com lobby no Brasil sejam menores, as empresas já contrataram consultorias locais.

A tendência é de que os valores continuem subindo. Com as eleições presidenciais americanas se aproximando, a IA se tornou um tema central de campanha. Donald Trump e Joe Biden já mencionaram a necessidade de regulação, e as empresas querem garantir que seus interesses estejam representados independentemente de quem vencer.

Para Matt Mittelsteadt, pesquisador do Mercatus Center da Universidade George Mason, o aumento dos gastos é um sinal de maturidade do setor. "IA não é mais apenas tecnologia de nicho. Ela afeta economia, segurança nacional, propriedade intelectual. É natural que as empresas invistam pesado em lobby", afirma.

Enquanto isso, os olhos do mercado estão voltados para os próximos trimestres. Se os gastos continuarem crescendo, OpenAI e Anthropic podem se tornar tão influentes em Washington quanto as grandes petrolíferas e farmacêuticas. A diferença é que, desta vez, o produto sendo lobbied é o cérebro digital do futuro.

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