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OpenAI e Anthropic quebram recordes de lobby em Washington: a corrida para influenciar a regulação da IA

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Por Redação tecma.tech27 de julho de 20269 min de leitura
OpenAI e Anthropic quebram recordes de lobby em Washington: a corrida para influenciar a regulação da IA
  • OpenAI e Anthropic gastaram juntas mais de US$ 1,5 milhão em lobby no segundo trimestre de 2024, um recorde para as empresas de inteligência artificial.
  • Os gastos refletem a crescente pressão sobre o Congresso dos EUA para aprovar leis de regulação de IA, enquanto as empresas tentam moldar as regras a seu favor.
  • O movimento sinaliza uma estratégia agressiva de influência política, com contratação de grandes escritórios de advocacia e ex-funcionários do governo.

A ofensiva de Washington: lobistas de IA batem recorde de gastos

As duas maiores estrelas da inteligência artificial generativa, OpenAI e Anthropic, estão investindo pesado em capital político. Dados recém-divulgados mostram que as empresas gastaram, juntas, mais de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 8,2 milhões) em atividades de lobby em Washington no segundo trimestre de 2024. O valor representa um recorde para ambas as companhias e evidencia a corrida para influenciar o desenho da regulação federal de IA antes que ela saia do papel.

A OpenAI lidera o ranking, com US$ 800 mil em despesas de lobby no período — um salto de 34% em relação ao trimestre anterior. Já a Anthropic gastou US$ 700 mil, um aumento de 27% sobre os primeiros três meses do ano. Os números foram obtidos pelo portal The Next Web a partir de registros oficiais do Senado dos EUA, que obriga entidades a declararem despesas com lobby acima de US$ 5 mil.

Os gastos não são apenas altos; eles representam uma virada estratégica. As duas empresas, que outrora mantinham equipes de relações governamentais enxutas, agora contrataram verdadeiros exércitos de lobistas. Entre os novos nomes estão ex-funcionários da Casa Branca, do Departamento de Comércio e até mesmo do próprio Congresso, indicando uma profissionalização da máquina de influência.

O contexto da corrida regulatória: por que agora?

O recorde de gastos não acontece por acaso. O Congresso dos Estados Unidos está discutindo pelo menos três projetos de lei abrangentes sobre inteligência artificial, além de dezenas de propostas setoriais (como transparência em modelos generativos, segurança cibernética e direitos autorais). O calendário político é apertado: as eleições de novembro podem alterar a composição do Legislativo, e o atual presidente Joe Biden já emitiu uma ordem executiva sobre IA, mas uma lei federal permanente ainda não foi aprovada.

Executivos das duas empresas têm feito aparições públicas frequentes em audiências no Capitólio. Sam Altman, CEO da OpenAI, já testemunhou pessoalmente e defendeu uma abordagem de “regulação inteligente”, enquanto Dario Amodei, CEO da Anthropic, tem pressionado por regras mais rígidas de segurança, especialmente em modelos de fronteira. A diferença de tom reflete as estratégias de negócios: a OpenAI quer acelerar a comercialização, enquanto a Anthropic aposta em um discurso de “IA segura para todos”.

Os lobistas contratados por ambas as empresas estão focados em três frentes principais: (1) evitar que a regulação exija a abertura total dos modelos (o que poderia expor segredos comerciais), (2) garantir que os requisitos de teste de segurança sejam administráveis e (3) influenciar a definição de “risco elevado” para que a maioria dos usos comerciais não seja enquadrada como tal.

As táticas por trás dos números: quem são os lobistas?

O dinheiro não está indo apenas para escritórios de advocacia tradicionais. A OpenAI contratou a Akin Gump Strauss Hauer & Feld, um dos maiores escritórios de lobby de Washington, conhecido por representar gigantes da tecnologia como Google e Amazon. A Anthropic, por sua vez, recorreu à Brownstein Hyatt Farber Schreck, que tem forte atuação em temas de segurança nacional e tecnologia.

Além disso, ambas as empresas estão investindo em “lobby de base” — campanhas de conscientização direcionadas a membros do Congresso em seus distritos, incluindo visitas a centros de pesquisa e demonstrações práticas dos modelos. A OpenAI também abriu um escritório em Washington em maio, com uma equipe dedicada de política pública liderada por Jason Kwon, ex-conselheiro do Departamento de Comércio.

Os registros mostram ainda que as empresas estão fazendo doações políticas a candidatos de ambos os partidos, embora em valores menores. A OpenAI contribuiu com US$ 50 mil para o comitê de ação política do Partido Democrata, enquanto a Anthropic destinou US$ 30 mil para republicanos moderados. A estratégia é clara: manter portas abertas independentemente de quem vencer as eleições.

O impacto no mercado e na concorrência

O aumento nos gastos com lobby não é um fenômeno isolado. Outras empresas de IA, como Cohere, Hugging Face e Stability AI, também aumentaram suas despesas em Washington, mas em patamares muito menores (na casa das dezenas de milhares de dólares). A disparidade reflete a diferença de caixa: a OpenAI levantou US$ 13 bilhões em investimentos e a Anthropic US$ 7,6 bilhões, enquanto suas concorrentes menores lutam por fatias de mercado.

Especialistas em regulação, como Anita Patel, professora de direito digital na Universidade de Georgetown, afirmam que o lobby pesado pode distorcer o processo legislativo. “Empresas com mais recursos conseguem moldar as regras a seu favor, criando barreiras para novos entrantes. O Congresso precisa ouvir vozes diversas, incluindo acadêmicos e grupos de defesa do consumidor, e não apenas os bilionários da IA”, disse Patel em entrevista ao The Next Web.

O lobby também está sendo usado para neutralizar críticas. Tanto a OpenAI quanto a Anthropic enfrentam processos judiciais e investigações regulatórias sobre violação de direitos autorais (treinamento de modelos com dados protegidos) e preocupações com segurança. Ao se aproximar do poder legislativo, as empresas esperam obter imunidade ou regras brandas nesses temas.

O que esperar dos próximos meses

Com o recesso do Congresso em agosto, o lobby não diminui — pelo contrário, as equipes de relações governamentais estão aproveitando para estreitar laços com assessores parlamentares e preparar o terreno para o período legislativo pós-eleições. Se os projetos de lei avançarem, as despesas de lobby podem bater novos recordes no terceiro trimestre.

O mercado observa de perto. Uma regulação muito restritiva poderia frear o lançamento de novos modelos e reduzir a vantagem competitiva das empresas americanas frente à China. Por outro lado, a ausência de regras pode gerar uma crise de confiança do público, como já ocorreu com as redes sociais. A OpenAI e a Anthropic jogam os dois lados: pedem regulação, mas querem que ela seja feita sob medida para seus produtos.

Enquanto isso, os dados mostram que o dinheiro está falando alto em Washington. No segundo trimestre, as big techs (Google, Microsoft, Amazon, Meta, Apple) gastaram juntas mais de US$ 60 milhões em lobby. A inteligência artificial, antes um tema de nicho, agora é o centro das discussões — e as empresas estão dispostas a pagar caro para garantir que a narrativa seja favorável a elas.

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