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Samsung lança óculos inteligentes de grife com IA do Google para competir com Ray-Ban Meta

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Por Redação tecma.tech29 de julho de 20269 min de leitura
Samsung lança óculos inteligentes de grife com IA do Google para competir com Ray-Ban Meta
  • A Samsung anunciou uma linha de óculos inteligentes em parceria com a grife alemã Mykita, integrando a inteligência artificial Gemini, do Google.
  • Os óculos, chamados Mykita x Samsung, prometem funcionalidades como chamadas, notificações e um assistente de IA embutido.
  • O modelo chega para competir diretamente com os óculos Ray-Ban Meta, que dominam o segmento de wearables inteligentes.
  • A parceria marca a primeira vez que a Samsung entra no mercado de óculos com design de moda, mirando um público que une estilo e tecnologia.

Samsung e Mykita: a nova aposta em wearable inteligente com estilo

A Samsung resolveu entrar de vez na briga dos óculos inteligentes com um diferencial que vai além da tecnologia: o design. A empresa sul-coreana se uniu à grife alemã Mykita para lançar uma linha de óculos que integra o assistente de inteligência artificial Gemini, do Google. Batizada oficialmente de Mykita x Samsung, a coleção une a pegada fashion da marca de Berlim com a expertise eletrônica da Samsung, em um movimento que lembra (e muito) a parceria entre a Ray-Ban e a Meta.

Os óculos não são um produto de realidade aumentada com telas transparentes, como os falidos Google Glass ou o atual Xreal Air. Em vez disso, eles seguem o caminho dos Ray-Ban Meta Stories e Ray-Ban Meta Smart Glasses: câmeras embutidas, microfones, alto-falantes e um assistente de voz ativado por comando. O grande trunfo da Samsung, no entanto, é a integração com o Google Gemini, que promete respostas mais contextuais e ações mais complexas do que o assistente padrão da Meta.

A Mykita, conhecida por suas armações minimalistas e soldas articuladas, tratou de adaptar seu design característico para abrigar os componentes eletrônicos. As hastes dos óculos são levemente mais grossas que o normal, mas a empresa garante que o visual não fica comprometido. A coleção inicial conta com três modelos: um estilo redondo clássico, um quadrado oversized e um design aviador. Todos estarão disponíveis em cinco variações de cor, incluindo preto fosco, tartaruga e prata escovado.

Como funciona a inteligência artificial embutida nas hastes

O coração do dispositivo é um chip Snapdragon AR1 Gen 1 da Qualcomm, o mesmo usado nos óculos da Meta. A diferença está no software. O sistema operacional é uma versão customizada do Wear OS, que roda uma interface enxuta. O acesso ao Google Gemini se dá por meio de um toque longo na haste direita ou pelo comando de voz “Ok Google”.

O Gemini consegue, por exemplo, identificar objetos à frente das câmeras e fornecer informações em tempo real. Em uma demonstração, a Samsung mostrou o assistente descrevendo um monumento histórico, traduzindo um cardápio em italiano e explicando o funcionamento de um quadro elétrico. As respostas são dadas pelo alto-falante embutido na haste, que usa condução óssea para não incomodar quem está por perto.

As câmeras são duas: uma principal de 12 megapixels com estabilização eletrônica e uma secundária de 8 megapixels para profundidade e foco. Elas gravam vídeo em 1080p a 30 quadros por segundo e fotos com qualidade aceitável para redes sociais. Não há viewfinder, então o enquadramento é feito por tentativa e erro, algo que os usuários dos Ray-Ban Meta já conhecem bem. O armazenamento interno é de 32 GB, suficientes para milhares de fotos ou algumas horas de vídeo.

A bateria é o ponto fraco de qualquer wearable, e aqui não é diferente. A Samsung afirma que os óculos aguentam cerca de 5 horas de uso moderado com o assistente ativo, mas que em modo standby podem chegar a 18 horas. O carregamento é feito por uma base magnética que se encaixa nas hastes, similar ao sistema dos fones de ouvido sem fio. A base é vendida separadamente por US$ 29, o que gerou algumas críticas iniciais.

Para conectar com o smartphone, o Mykita x Samsung usa Bluetooth 5.3 e WiFi 6E. Eles funcionam com qualquer celular Android a partir do Android 12, mas a integração total com o Gemini só é possível em celulares Samsung Galaxy S24 ou superiores. Usuários de iPhone, por enquanto, ficam de fora da experiência completa — conseguem fazer chamadas e ouvir música, mas não têm acesso ao assistente de IA.

Um mercado disputado: Ray-Ban Meta mantém a liderança

A entrada da Samsung nesse segmento não é uma surpresa. O mercado de óculos inteligentes, que parecia morto após o fracasso do Google Glass e do Snap Spectacles, ressurgiu com força graças à parceria entre a Ray-Ban e a Meta. Os Ray-Ban Meta Smart Glasses, lançados em 2023 e atualizados em 2024, já venderam mais de 2 milhões de unidades e se tornaram o wearable mais popular fora do nicho dos smartwatches.

A Meta, por sua vez, investiu pesado em inteligência artificial integrada aos óculos. O assistente Meta AI, baseado no modelo Llama 3, oferece funcionalidades muito semelhantes às do Gemini. A diferença é que a Meta já tem uma base instalada de usuários e uma loja de aplicativos própria. A Samsung, ao usar o Wear OS e o Gemini, aposta no ecossistema do Google, que é mais aberto e tem potencial para atrair desenvolvedores.

Mas a briga não é só de software. O preço é um fator decisivo. Os Mykita x Samsung custarão US$ 349 nos Estados Unidos, com os modelos mais elaborados chegando a US$ 449 por causa das armações mais sofisticadas. Os Ray-Ban Meta saem por US$ 299 na versão básica e US$ 379 com lentes de grau. Ou seja, a Samsung está ligeiramente acima em preço, mas aposta no design diferenciado da Mykita para justificar a diferença.

A Mykita é uma marca adorada por fashionistas e celebridades. A grife alemã nunca havia feito uma parceria tecnológica antes, e muitos analistas de moda veem isso como um movimento arriscado, mas promissor. “A Mykita está emprestando seu DNA de design a um produto que pode ser visto como um gadget, não como um acessório de moda”, disse Anita Patel, analista de wearables da consultoria CCS Insight. “Se eles conseguirem que os óculos sejam percebidos como um item de estilo, e não apenas como um aparelho eletrônico, a Samsung pode ganhar um nicho importante.”

A Samsung está ciente desse desafio. Em comunicado oficial, a presidente da divisão Mobile eXperience, Hwang Seung-hee, afirmou que “os óculos são a extensão natural da inteligência artificial no corpo humano”. A executiva destacou que a empresa “não quer fazer um gadget, quer fazer um acessório que as pessoas usem o dia todo, sem parecer que estão carregando um computador no rosto”. A fala ecoa a estratégia da Meta, que sempre tratou os Ray-Ban Meta como “óculos primeiro, tecnologia depois”.

Privacidade e segurança: o elefante na sala

Um dos maiores desafios dos óculos inteligentes sempre foi a privacidade. Câmeras escondidas em armações geram desconfiança, especialmente após os escândalos envolvendo gravações não autorizadas com o Google Glass. A Samsung tentou contornar isso com um indicador LED muito visível na ponta da haste direita, que acende em branco sempre que a câmera está gravando. Além disso, o obturador da câmera faz um som audível (que pode ser desativado nas configurações, infelizmente).

A empresa também implementou um recurso chamado “Privacy Mode”, que desativa todas as câmeras e microfones com um toque triplo na haste. Nesse modo, os óculos funcionam apenas como um par de óculos comum — sem assistente, sem fotos, sem gravações. O modo é indicado por um LED vermelho piscando, visível de longe.

No entanto, as preocupações com vigilância não vão desaparecer. Jonathan Kanter, chefe da divisão de privacidade da Electronic Frontier Foundation (EFF), comentou em uma entrevista ao The Verge que “qualquer dispositivo com câmera no rosto é um risco potencial para a privacidade alheia”. A Samsung prometeu que as gravações não são enviadas para a nuvem sem permissão explícita e que o processamento local de imagens é feito no chip da Qualcomm, sem depender de servidores externos para funções básicas.

Os dados de áudio, por outro lado, são processados pelo Google Gemini, o que significa que as conversas dos usuários podem ser enviadas aos servidores do Google para gerar respostas. A Samsung afirma que “as gravações de áudio são anônimas e não são armazenadas após o processamento”, mas isso não é suficiente para os defensores de privacidade mais rigorosos.

A Mykita, por sua vez, tentou se distanciar da polêmica. Em comunicado, a grife afirmou que “o design dos óculos prioriza a transparência visual sobre a funcionalidade escondida”, referindo-se ao fato de que o LED de gravação é grande e posicionado em um ângulo que dificilmente passa despercebido. Ainda assim, os críticos lembram que em shows, bares ou situações sociais, o LED pode não ser notado, permitindo gravações discretas.

Disponibilidade e primeiras impressões

Os Mykita x Samsung começarão a ser vendidos em 10 de agosto de 2026 em lojas selecionadas da Mykita em Berlim, Paris, Tóquio e Nova York. A partir de setembro, estarão disponíveis no site da Samsung e em algumas óticas parceiras. No Brasil, a previsão é de que cheguem apenas em 2027, sem data confirmada e com preço estimado de R$ 2.499, considerando os impostos de importação.

As primeiras impressões da imprensa especializada foram mistas. O The Verge elogiou o design elegante e a leveza das armações, mas criticou a duração da bateria e a falta de integração com iPhone. O TechCrunch destacou que o Gemini funciona bem para tarefas cotidianas, mas falha em contextos mais complexos, como navegação passo a passo ou respostas a perguntas abertas sobre o ambiente.

A Wired foi mais dura, chamando os óculos de “um experimento de moda que ainda não resolveu os problemas fundamentais dos wearables”. A revista destacou que “as câmeras são boas, mas não ótimas, e o assistente de IA ainda sofre com latência em conexões móveis”. Por outro lado, a Vogue adorou: “Finalmente um óculos inteligente que não parece saído de um filme de ficção científica dos anos 80”.

Resta saber se o público vai abraçar a ideia. Diferentemente dos Ray-Ban Meta que são vendidos em qualquer loja de óculos, os Mykita x Samsung têm distribuição limitada e preço premium. A Samsung aposta que o público disposto a pagar mais por design e exclusividade é o mesmo que quer tecnologia de ponta. Se der certo, a empresa pode abrir caminho para uma segunda geração com mais funcionalidades e preço mais acessível. Se der errado, será mais um capítulo na história dos óculos inteligentes que nunca decolaram.

Futuro da linha: o que esperar da Samsung e Mykita

A Samsung já confirmou que pretende lançar uma nova versão dos óculos em 2027, com melhorias na bateria, câmera mais potente e suporte para realidade aumentada básica, como notificações flutuantes. A empresa também planeja expandir a linha com armações de outros designers, potencialmente incluindo marcas brasileiras como Chilli Beans ou Ótica Isabela Dias. Nada foi confirmado, mas as especulações já circulam nos bastidores da indústria.

O Google, por sua vez, vê nos óculos um novo canal para o Gemini. A empresa quer que o assistente esteja em todos os lugares — no carro, na TV, no relógio e agora no rosto. A integração com o Google Maps, Google Tradutor e Google Lens é o principal atrativo. Em uma demonstração, um executivo do Google mostrou como o Gemini nos óculos pode sugerir rotas alternativas com base no trânsito em tempo real, sem precisar olhar para o celular.

A Mykita, por outro lado, não quer se tornar uma empresa de tecnologia. A grife vê a parceria como uma forma de se manter relevante em um mercado de óculos cada vez mais influenciado pela tecnologia. O CEO da Mykita, Moritz Mykita, disse em entrevista que “a moda e a tecnologia podem andar juntas, desde que a moda nunca se torne um acessório da tecnologia”. A frase resume a delicada linha que a empresa tenta equilibrar: fazer um produto que seja desejável como objeto de moda, mas funcional como dispositivo inteligente.

Enquanto isso, a Apple continua de fora dessa briga — pelo menos oficialmente. Rumores de que a Maçã estaria desenvolvendo seus próprios óculos inteligentes, os Apple Glasses, circulam há anos, mas o projeto parece estar congelado. Com a entrada da Samsung e o sucesso da Meta, a pressão sobre a Apple aumenta. Se os Mykita x Samsung forem bem, a Apple pode ser forçada a acelerar seus planos. Caso contrário, o mercado de óculos inteligentes continuará sendo dominado pela Meta, agora com um novo concorrente de peso usando inteligência artificial do Google.

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