Samsung revela mais detalhes dos óculos inteligentes feitos em parceria com Google

- A Samsung divulgou novas informações sobre seus óculos inteligentes, desenvolvidos em parceria com o Google, durante a MWC 2025.
- O dispositivo, que roda o sistema Android XR, promete integrar recursos de IA generativa e realidade aumentada para uso cotidiano.
- A expectativa é que o produto chegue ao mercado ainda em 2025, competindo diretamente com os óculos da Meta e da Apple.
Parceria estratégica para o futuro da computação vestível
A Samsung aproveitou o palco do Mobile World Congress (MWC) 2025, em Barcelona, para oferecer mais detalhes sobre seus aguardados óculos inteligentes, um projeto ambicioso desenvolvido em parceria com o Google. O dispositivo, que até então era conhecido apenas por rumores e teasers conceituais, agora ganha contornos mais nítidos. A informação foi inicialmente divulgada pelo site especializado SamMobile e confirmada por fontes da própria empresa na feira.
Os óculos serão equipados com o Android XR, o novo sistema operacional do Google voltado especificamente para headsets, óculos de realidade aumentada (AR) e dispositivos de computação espacial. Anunciado originalmente em parceria com a Samsung em dezembro de 2024, o sistema promete unificar a experiência entre diferentes fabricantes, assim como o Android fez com os smartphones. A Samsung será a primeira parceira a lançar um produto com essa plataforma, o que coloca a empresa em uma posição de vanguarda no segmento.
O anúncio no MWC reforça que a coreana não está apenas experimentando, mas sim levando a sério a ideia de popularizar os óculos inteligentes. A empresa já havia mostrado um protótipo funcional em janeiro, durante o evento Galaxy Unpacked, mas sem muitos detalhes técnicos. Agora, o discurso é mais maduro e focado em usabilidade.
Funcionalidades e integração com IA generativa
De acordo com as informações reveladas no evento, os óculos inteligentes da Samsung contarão com um display integrado capaz de projetar informações diretamente no campo de visão do usuário. A interface será controlada por comandos de voz, toques na haste do óculos e gestos manuais captados por câmeras embutidas. Essa combinação de entradas visa tornar a interação mais natural, dispensando o uso de telas físicas ou controles remotos.
O grande destaque, no entanto, é a integração profunda com o Gemini, o modelo de inteligência artificial generativa do Google. Durante uma demonstração, um executivo da Samsung mostrou como o assistente virtual pode responder perguntas sobre objetos à sua frente, traduzir placas em tempo real e até sugerir rotas baseadas em reconhecimento de ambiente. Por exemplo, ao apontar para um monumento, os óculos sobrepõem informações históricas sobre a imagem real, tudo sem a necessidade de tirar o smartphone do bolso.
Patrick Chomet, vice-presidente executivo de experiência do cliente na Samsung, afirmou no palco do MWC que a empresa está focada em resolver problemas reais do dia a dia. "Não queremos criar um gadget que as pessoas usem por curiosidade e depois abandonem. Queremos que os óculos se tornem uma extensão natural do smartphone, assim como os smartwatches se tornaram", disse ele, em tradução livre.
A autonomia da bateria ainda não foi divulgada, mas fontes próximas ao projeto indicam que a Samsung está trabalhando com componentes de baixo consumo energético para garantir um uso contínuo de pelo menos um dia inteiro. A empresa também confirmou que os óculos serão compatíveis com o ecossistema Galaxy, permitindo sincronizar notificações, chamadas e dados de saúde com outros dispositivos da marca.
Concorrência acirrada no mercado de óculos inteligentes
O segmento de óculos inteligentes está cada vez mais competitivo. A Meta, com seus Ray-Ban Stories (primeira geração) e a mais recente linha Ray-Ban Meta (com câmera e alto-falantes), já conquistou um nicho de consumidores interessados em capturar momentos e ouvir música sem fones. Já a Apple trabalha em um projeto de óculos AR há anos, embora seu Vision Pro seja um headset volumoso e caro, focado em realidade mista e não em uso cotidiano.
A proposta da Samsung parece mirar exatamente no espaço entre esses dois extremos: algo mais leve e socialmente aceitável que um headset, mas mais capaz tecnologicamente que os óculos da Meta. O uso do Android XR também garante acesso à vasta biblioteca de aplicativos do Google Play, embora adaptados para a interface de realidade aumentada.
Anita Patel, analista sênior da consultoria Gartner, comentou que a entrada da Samsung pode ser o impulso que o mercado precisa. "A Samsung tem a experiência em hardware, a cadeia de suprimentos e o alcance de marketing para tornar os óculos inteligentes um produto mainstream. Se eles conseguirem acertar no preço e na usabilidade, podem repetir o sucesso que tiveram com os smartwatches", afirmou ela, em entrevista ao Tecma.
Desafios técnicos e de privacidade
Apesar do otimismo, a Samsung e o Google enfrentam desafios significativos. Um dos principais é o design. Óculos precisam ser leves, elegantes e confortáveis para serem usados por horas. Incluir bateria, processador, câmeras e telas em uma armação fina é um exercício complexo de engenharia. A Samsung não revelou o peso final do dispositivo, mas garantiu que ele será mais leve que um smartphone médio.
Outro ponto sensível é a privacidade. Com câmeras embutidas capazes de gravar o ambiente ao redor, os óculos inteligentes geram preocupações sobre vigilância e consentimento. A Meta enfrentou críticas e até ações regulatórias na Europa por conta do recurso de gravação de vídeo dos seus Ray-Ban Stories. A Samsung afirmou que implementará um indicador LED visível sempre que as câmeras estiverem ativas, além de oferecer opções de desativação total do sensor.
Jonathan Kanter, diretor de privacidade e segurança do Google, participou de um painel no MWC e destacou que a empresa está comprometida com a transparência. "O Android XR foi construído com a privacidade como princípio fundamental. Os dados de vídeo serão processados localmente no dispositivo sempre que possível, e o usuário terá controle total sobre quais informações são compartilhadas com a nuvem", explicou ele.
Preço e disponibilidade
A Samsung ainda não divulgou o preço oficial dos óculos inteligentes, mas especula-se que ele fique na faixa dos US$ 399 (aproximadamente R$ 2.300 em conversão direta, sem impostos). Esse valor o colocaria em linha com os Ray-Ban Meta (que custam a partir de US$ 299) e abaixo do Apple Vision Pro (US$ 3.499). A empresa deve adotar uma estratégia de venda direta ao consumidor e também por operadoras de telefonia, com planos de parcelamento.
O lançamento está previsto para o segundo semestre de 2025, possivelmente em agosto, durante o próximo evento Galaxy Unpacked. A Samsung já confirmou que os óculos chegarão primeiro aos Estados Unidos, Coreia do Sul e alguns países europeus, com expansão para mercados como Brasil e Índia ao longo de 2026.
Para o público brasileiro, a chegada dos óculos inteligentes pode representar uma nova forma de interagir com a tecnologia. Embora o preço em reais deva ser salgado (estimativas iniciais apontam para algo entre R$ 4.000 e R$ 5.000), a Samsung costuma oferecer promoções agressivas de pré-venda e trade-in de dispositivos antigos.
A Samsung e o Google parecem determinados a transformar os óculos inteligentes em um novo pilar da computação pessoal. Resta saber se o público está pronto para abraçar mais essa categoria. O sucesso do produto dependerá de quão bem ele conseguirá se integrar à vida das pessoas sem parecer um acessório estranho ou intrusivo. A resposta virá nos próximos meses, quando os primeiros protótipos finais forem testados por jornalistas e influenciadores.