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TSMC planeja aumentar preço de chips em até 10% a partir de 2027

Por Sofia Aguiar21 de julho de 20268 min de leitura
TSMC planeja aumentar preço de chips em até 10% a partir de 2027
  • A TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, planeja elevar os preços de seus chips entre 5% e 10% a partir de 2027.
  • O aumento é impulsionado pelos altos custos de produção de novas tecnologias, como o processo de 2 nanômetros, e pela demanda aquecida por chips de IA.
  • Para consumidores, isso pode resultar em dispositivos mais caros, enquanto para concorrentes como a Intel, representa um alívio na pressão de preços.

TSMC sinaliza reajuste bilionário nos chips para 2027

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), a gigante que fabrica os chips dos iPhones e dos processadores da Nvidia, confirmou ao mercado que planeja aumentar o preço dos seus semicondutores em até 10% a partir de 2027. O movimento, que já vinha sendo especulado por analistas, foi comunicado a grandes clientes como Apple, AMD e Qualcomm em reuniões recentes.

A justificativa oficial é dupla: de um lado, a TSMC precisa cobrir os investimentos astronômicos em novas fábricas e equipamentos para a produção de chips de 2 nanômetros (nm) e 1.4 nm. De outro, a demanda implacável por aceleradores de inteligência artificial (IA) está consumindo toda a capacidade disponível das linhas de produção mais avançadas.

O reajuste não será linear. As fontes indicam que os chips fabricados nos nós mais antigos, como 7 nm e 16 nm, devem sofrer um aumento mais modesto, entre 2% e 3%. Já os processadores de ponta, incluindo os projetados para IA, podem ver saltos de 5% a 10%, dependendo da complexidade do pedido.

Os custos ocultos dos 2 nanômetros

A transição para o processo de 2 nm é o principal motor do aumento de preços. Diferente do salto de 5 nm para 3 nm, que ainda usava a litografia ultravioleta extrema (EUV) de forma limitada, o nodo de 2 nm exige uma nova geração de máquinas EUV de alta abertura numérica (High-NA). Cada uma dessas máquinas, fabricadas pela ASML, custa cerca de 400 milhões de dólares.

Além do hardware, a TSMC enfrenta custos operacionais mais altos. O processo de 2 nm requer até 30% mais máscaras de litografia do que o 3 nm, o que aumenta o tempo de produção e o consumo de energia elétrica nas fábricas em Taipé, Arizona e Dresden. A empresa também está investindo em novas instalações de embalagem avançada de chips (CoWoS), que são essenciais para montar os superchips de IA, como o Blackwell da Nvidia.

Para a Apple, que deve ser uma das primeiras a adotar o processo de 2 nm no chip A19 do iPhone 18, o impacto é direto. A empresa costuma negociar descontos de volume, mas a margem de manobra da TSMC está diminuindo. Fontes da cadeia de suprimentos afirmam que a Apple já aceitou um aumento de 3% para os lotes de 2027, mas as negociações para o processo de 1.4 nm ainda estão em aberto.

A reação dos clientes e a sombra da Intel

A notícia do reajuste não caiu bem entre as empresas que dependem da TSMC para seus chips de IA. A Nvidia, maior cliente do segmento de data centers, já contratou a produção de 3 nm e 2 nm para 2027, e deve arcar com a conta mais alta. A AMD, que recentemente perdeu market share de servidores para a Intel, vê no aumento de preços um desafio adicional para competir em custo-benefício.

Entretanto, o movimento da TSMC também cria uma janela de oportunidade para a Intel. A empresa americana, que tenta se reerguer no mercado de foundry (fabricação sob contrato), mantém preços mais competitivos em seus nós de 18A e 14A, mesmo com atrasos de produção. A Qualcomm já sinalizou que está avaliando a Intel para parte dos seus chips de 2028, como forma de pressionar a TSMC a não elevar ainda mais os valores.

Do lado do consumidor final, o impacto deve aparecer com um desfasamento de 12 a 18 meses. Celulares, PCs e consoles fabricados com chips pós-2027 podem ficar entre 5% e 15% mais caros apenas pelo reajuste do silício. A Apple, por exemplo, terá que decidir se absorve o custo ou repassa ao consumidor.

A estratégia de expansão da TSMC

O aumento de preços não é apenas uma medida de curto prazo para equilibrar as contas. A TSMC está financiando uma expansão global sem precedentes, com novas fábricas em construção nos Estados Unidos (Arizona), Japão (Kumamoto), Alemanha (Dresden) e Cingapura. Cada uma dessas instalações custa dezenas de bilhões de dólares.

Além disso, a empresa está diversificando sua base de clientes. Atualmente, a Nvidia responde por cerca de 15% da receita da TSMC, e a Apple por mais 20%. Para reduzir a dependência, a foundry taiwanesa está cortejando empresas automotivas como a Tesla e a Bosch, além de startups de IA que precisam de chips customizados.

Contudo, nem tudo são flores. O governo dos EUA, que concedeu 5,2 bilhões de dólares em subsídios para a fábrica do Arizona, já demonstrou desconforto com o reajuste de preços. A administração Biden quer que a TSMC venda chips a preços competitivos no mercado americano, sob o risco de rever os incentivos. A empresa, por sua vez, respondeu que os aumentos são inevitáveis para manter a liderança tecnológica.

O que esperar dos chips de 2027

Até lá, o mercado de semicondutores deve passar por uma reconfiguração. A TSMC planeja iniciar a produção em massa de 2 nm no segundo semestre de 2026, com rampa total em 2027. Os primeiros chips a utilizar o novo processo serão os da Apple (A19 e M5 Max), seguidos pelos aceleradores de IA da Nvidia (Rubin) e pelos processadores para servidores da AMD.

Paralelamente, a Samsung Foundry tenta se recuperar de problemas de rendimento em seus nós de 3 nm e promete o processo SF2Z (2 nm) para 2027. A Intel, por sua vez, aposta no nó 18A para recuperar contratos. Se a TSMC realmente subir os preços, as alternativas podem se tornar mais atrativas, mesmo com desempenho inferior.

No final, a decisão da TSMC revela uma verdade incômoda do setor: chips avançados estão cada vez mais caros de produzir, e o consumidor final, mais cedo ou mais tarde, arcará com essa conta. A pergunta que fica é se o mercado aceitará um iPhone de 2.000 dólares em 2027 ou se a demanda por IA conseguirá sustentar a escalada de preços.

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