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Anthropic Lança Claude Science para Pesquisa Científica com IA

A Anthropic apresentou o Claude Science, uma plataforma integrada que reúne ferramentas como PubMed, Jupyter e R para auxiliar pesquisadores em biologia, genética e química. A iniciativa inclui financiamento de até 50 projetos com créditos de US$ 30 mil.

Publicado em 1 de jul. de 2026, 06:02

Anthropic Lança Claude Science para Pesquisa Científica com IA

A Anthropic, empresa norte-americana de inteligência artificial, lançou nesta terça-feira, 30 de julho de 2025, o Claude Science, uma plataforma dedicada à pesquisa científica. A ferramenta foi desenvolvida para atender pesquisadores e profissionais que atuam em diferentes etapas do trabalho científico, desde a coleta e análise de dados até a produção de estudos. Desde o início de 2025, a empresa já vinha investindo em soluções voltadas para esse público, e agora consolida essas funcionalidades em um único ambiente integrado. O lançamento ocorre em um momento de crescimento do uso de IA no meio acadêmico, onde ferramentas generativas passam a ser incorporadas a fluxos de trabalho especializados. O Claude Science se diferencia por oferecer transparência no processo, permitindo que o usuário acompanhe cada etapa da execução da IA, desde o código utilizado até o ambiente de execução. A Anthropic enfatiza que o objetivo é ampliar a produtividade dos cientistas, sem substituir o julgamento humano.

A plataforma conta com mais de 60 recursos e integrações voltados para áreas como biologia, genética e química. Entre as ferramentas disponíveis estão PubMed, Jupyter e R, amplamente utilizadas por pesquisadores para acesso a publicações científicas e análise computacional de dados. O Claude Science pode ser utilizado em computadores com sistema operacional macOS ou Linux, e também pode ser acessado remotamente. Sempre que realiza uma tarefa, a IA fornece ao usuário o código utilizado para gerar o resultado, o ambiente em que o trabalho foi executado, uma explicação em linguagem simples sobre como a resposta foi produzida e todo o histórico da conversa. Essa abordagem visa garantir a reprodutibilidade dos resultados, um princípio fundamental na ciência. A versão beta foi liberada nesta terça-feira para assinantes dos planos Claude Pro, Max, Team e Enterprise, permitindo que pesquisadores testem as funcionalidades antes do lançamento oficial para todos os usuários.

Nos últimos meses, pesquisadores que testaram a versão beta utilizaram o Claude Science em atividades como análise de sequenciamento de RNA, planejamento de experimentos com CRISPR (técnica de edição genética), previsão da estrutura de proteínas e análises na área de química computacional. Essas aplicações demonstram o potencial da ferramenta para lidar com problemas complexos e intensivos em dados, típicos da pesquisa moderna. Por exemplo, no sequenciamento de RNA, a IA pode auxiliar na identificação de padrões de expressão gênica, enquanto no planejamento de CRISPR, pode sugerir sequências de guia e prever possíveis efeitos off-target. A previsão da estrutura de proteínas, por sua vez, é uma área que se beneficia enormemente de modelos de linguagem grandes, como os que a Anthropic desenvolve. Em química computacional, o Claude Science pode realizar simulações e otimizações de moléculas, acelerando descobertas em áreas como fármacos e materiais.

Apesar das novas funcionalidades, a Anthropic ressalta que os resultados devem ser revisados pelos pesquisadores. Durante a execução das tarefas, o usuário pode acompanhar o processo da IA, verificar como ela chegou às conclusões e criar diferentes versões do mesmo trabalho, chamadas de forks. Assim, é possível comparar abordagens diferentes sem perder o histórico original. A empresa reconhece que a IA pode errar, e por isso a transparência é um pilar do produto. Essa abordagem contrasta com outras ferramentas de IA que atuam como 'caixas-pretas', dificultando a auditoria dos resultados. O Claude Science também permite exportar os resultados para formatos compatíveis com a maioria dos periódicos científicos, facilitando a publicação. A ferramenta foi projetada para se integrar a pipelines de pesquisa existentes, em vez de substituí-los, o que deve facilitar a adoção por parte de grupos de pesquisa já estabelecidos.

O modelo de assinatura do Claude segue uma estrutura escalonada. O plano gratuito oferece acesso limitado às principais funções da plataforma. O plano Pro custa US$ 17 por mês (cerca de R$ 87,70, considerando o dólar a R$ 5,16), sendo indicado para uso diário por indivíduos. O plano Max, a partir de US$ 100 mensais (aproximadamente R$ 516), oferece entre cinco e vinte vezes mais capacidade de uso do que o Pro. Para equipes, há o plano Team, voltado para grupos de cinco a 150 usuários, com duas opções: padrão (a partir de US$ 20 por usuário ao mês, cerca de R$ 103) e premium (a partir de US$ 100 por usuário ao mês, cerca de R$ 516), com maior limite de uso. Já o plano Enterprise, destinado a empresas e organizações maiores, atende equipes com mais de 20 usuários, com valores a partir de US$ 20 por usuário ao mês, variando conforme o número de pessoas e o tipo de utilização. Essa estrutura permite que desde pesquisadores individuais até grandes centros de pesquisa tenham acesso à ferramenta.

Além do lançamento da plataforma, a Anthropic anunciou que financiará até 50 projetos de pesquisa que utilizem inteligência artificial. Cada projeto poderá receber até US$ 30 mil em créditos para uso da tecnologia. A empresa Modal também oferecerá até US$ 2 mil em recursos de computação para os projetos selecionados. Nesta primeira fase, a iniciativa dará prioridade a pesquisas nas áreas de biologia e ciências biomédicas. As inscrições ficam abertas até 15 de julho de 2026, e os projetos selecionados serão anunciados até 31 de julho de 2026. Os trabalhos serão desenvolvidos entre 1º de setembro e 1º de dezembro de 2026. Esse financiamento não apenas incentiva o uso do Claude Science, mas também gera feedback que a Anthropic poderá usar para aprimorar a ferramenta. A Modal é uma fornecedora de infraestrutura de computação em nuvem para cargas de trabalho científicas, o que reforça a sinergia entre as empresas.

O lançamento do Claude Science representa um passo significativo na aplicação de grandes modelos de linguagem a domínios científicos especializados. A transparência e a reprodutibilidade oferecidas pela plataforma são diferenciais importantes em um campo onde a confiabilidade dos resultados é crucial. No entanto, desafios permanecem: a necessidade de validação humana constante, o custo das assinaturas mais robustas para grupos de pesquisa com orçamento limitado e a dependência de infraestrutura computacional adequada. O ecossistema de IA para ciência está evoluindo rapidamente, com concorrentes como OpenAI e Google também desenvolvendo ferramentas similares. A iniciativa de financiamento de projetos pode acelerar a adoção e gerar casos de uso que demonstrem o valor da ferramenta em contextos reais. Para pesquisadores brasileiros, os valores em dólar representam uma barreira adicional, mas a possibilidade de acesso remoto e a integração com ferramentas abertas como R e Jupyter podem mitigar parte desse desafio.

Em conclusão, o Claude Science posiciona a Anthropic como um player relevante no segmento de IA para ciência, combinando funcionalidades avançadas com um compromisso com a transparência metodológica. A plataforma tem potencial para acelerar descobertas em áreas como genômica, biologia estrutural e química, desde que sua adoção seja acompanhada de uma cultura de verificação rigorosa. O sucesso da iniciativa dependerá não apenas da qualidade técnica, mas também da capacidade de a Anthropic formar uma comunidade de pesquisadores engajados. O financiamento de projetos e a abertura de inscrições até 2026 são movimentos estratégicos para construir essa base. O mercado de ferramentas de IA para pesquisa científica deve crescer substancialmente nos próximos anos, e o Claude Science chega com uma proposta que enfatiza a integração e a auditabilidade, características valorizadas pela comunidade acadêmica.