Uber Expande Funcionalidade Mulher para Todo o Brasil com Três Modalidades
A Uber expandiu nacionalmente o Uber Mulher, permitindo que passageiras mulheres e pessoas não binárias solicitem viagens com motoristas mulheres. Conheça as três modalidades, como ativar e as diferenças para concorrentes.
Publicado em 1 de jul. de 2026, 17:10

A Uber anunciou na terça-feira, 30 de julho, a expansão nacional da funcionalidade Uber Mulher, que permite que passageiras mulheres e pessoas não binárias solicitem viagens exclusivamente com motoristas mulheres. A iniciativa, que já estava disponível em algumas regiões, agora cobre todo o território brasileiro, incluindo a opção para contas de adolescentes no Uber Teens. O recurso foi desenvolvido para aumentar a segurança e o conforto de um segmento significativo de usuárias que, segundo pesquisa interna da empresa, manifestaram preferência por condutoras do mesmo gênero. No entanto, a implementação enfrenta um desafio estrutural: apenas 8% da base de motoristas parceiros da plataforma no Brasil são mulheres, o que exige mecanismos para evitar tempos de espera excessivos.
Para lidar com a baixa proporção de motoristas mulheres, a Uber criou três modalidades distintas de uso. A primeira é o 'Uber Mulher' para corridas comuns, que aparece na tela inicial junto às categorias tradicionais, como UberX e Comfort, mas funciona apenas durante o dia. Se o sistema não encontrar uma condutora disponível dentro de um limite de tempo, o aplicativo exibe um aviso automático perguntando se a passageira deseja continuar aguardando ou se prefere redirecionar a solicitação para o motorista homem mais próximo. A segunda modalidade é o agendamento pelo 'Uber Reserve', que exige que a corrida seja programada com pelo menos 30 minutos de antecedência, garantindo maior previsibilidade para o pareamento. A terceira opção, chamada de 'Preferência das Mulheres', é ativada nas configurações de perfil para corridas padrão de UberX: o sistema tenta priorizar uma motorista mulher automaticamente, mas transfere a chamada para o condutor disponível mais próximo caso o tempo de busca ultrapasse o limite regulado pelo app.
Para ativar a preferência por motoristas mulheres como padrão, a usuária deve acessar o aplicativo, ir até a aba 'Conta' na barra de navegação inferior, selecionar 'Configurações', tocar em 'Preferências das mulheres' e ativar o botão 'Encontrar viagens quando disponível'. A funcionalidade está disponível para todas as passageiras que se identificam como mulheres ou não binárias, conforme os termos de uso da plataforma. A Uber destaca que o recurso não implica qualquer restrição de gênero para motoristas homens, mas busca ampliar a autonomia de escolha das usuárias. A expansão ocorre em um momento em que a segurança em aplicativos de mobilidade ganha destaque no debate público, com empresas buscando soluções que combinem tecnologia e políticas inclusivas.
A estratégia da Uber difere dos modelos adotados por concorrentes como 99 e aplicativos dedicados. No caso da 99, a ferramenta '99Mulher' funciona de maneira invertida: são as motoristas mulheres que escolhem receber chamadas apenas de passageiras mulheres, enquanto na Uber a opção de escolha inicial está na tela de quem solicita a corrida. Além disso, existem plataformas como LadyDriver e FemiTaxi, que operam com frotas e cadastros exclusivamente femininos em ambas as pontas do serviço, oferecendo uma experiência mais restritiva, mas com maior controle de gênero. A Uber mantém desde 2019 um recurso similar ao da 99 para condutoras parceiras, chamado U-Elas, que permite que motoristas mulheres filtrem chamadas de passageiras mulheres. Essas diferenças refletem abordagens distintas para um mesmo problema: como equilibrar oferta e demanda em um mercado com forte desproporção de gênero entre motoristas.
Do ponto de vista crítico, a expansão do Uber Mulher representa um avanço em termos de inclusão e segurança, mas expõe limitações operacionais significativas. A baixa participação de motoristas mulheres (8%) impõe restrições à experiência do usuário, especialmente nos horários de pico ou em regiões menos densas. A solução de oferecer um aviso para redirecionar a corrida a motoristas homens, embora pragmática, pode frustrar usuárias que buscam exclusivamente condutoras mulheres. Em comparação com concorrentes como LadyDriver, que garantem 100% de motoristas mulheres, a Uber depende de algoritmos de pareamento que nem sempre conseguirão atender à demanda. Para o futuro, a empresa precisará investir em estratégias de recrutamento e retenção de condutoras, como incentivos financeiros ou programas de capacitação, para tornar o recurso mais efetivo. A tendência é que a funcionalidade evolua com base em dados de uso e feedback das usuárias, possivelmente incluindo mais horários de operação e integração com outros serviços de segurança.